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BC compra US$ 1,2 bilhão. Mas dólar cai

O Banco Central (BC) fez ontem a maior compra de dólares desde que voltou a adquirir a moeda americana no mercado de câmbio à vista, em 8 de maio. Segundo profissionais de instituições financeiras, o total beirou US$ 1,2 bilhão, muito acima da média de US$ 150 milhões dos últimos dias. Análise: tendência do dólar é de queda até fim do anoCom a atuação agressiva, o BC evitou que o dólar caísse abaixo de R$ 2, mas não impediu nova queda da moeda, que fechou cotada a R$ 2,028, baixa de 0,34%. No ano, o real já sobe 23%. São ao menos quatro os fatores que explicam a valorização expressiva da moeda brasileira nas últimas semanas. O primeiro é o fluxo de dólares para o País, principalmente para bolsa de valores. Ontem, o BC informou que a entrada de divisas superou as saídas em US$ 2,06 bilhões nos 15 primeiros dias de maio. A maior parte do saldo - US$ 1,4 bilhão - decorreu do segmento financeiro. O segundo fator, classificado pelos analistas de "técnico", está relacionado à atuação dos bancos, que têm interesse na alta do real nos próximos dias - quanto mais a moeda brasileira se valoriza, mais eles ganham com posições nos mercados futuros. O terceiro fator é a balança comercial, que acumulava superávit de US$ 7,8 bilhões entre janeiro e a segunda semana de maio. O saldo é superior ao que a maioria dos economistas projetava, em razão, principalmente, da valorização das commodities agrícolas, que respondem pela maior parte das vendas externas do País. Por fim, há expectativa de mais entradas de dólares nos próximos meses, por meio de captações de empresas no exterior (em renda fixa e ações) e por causa de investidores que buscarão ganhar com o diferencial entre o juro básico aqui e lá fora. Embora a taxa Selic esteja no menor nível da história do Brasil, ainda é alta se comparada ao resto do mundo - nos EUA, por exemplo, o juro básico oscila de 0 a 0,25% ao ano, ante 10,25% aqui. "Como a bolsa brasileira caiu muito no ano passado (mais de 41%), os investidores vieram em peso para cá porque estava barato. Quando o ?preço? da bolsa estiver mais ajustado, a tendência é que aumente o investimento em renda fixa", disse o diretor de câmbio do Banco Paulista, Tarcísio Rodrigues. Por isso, na avaliação dos especialistas, a barreira de R$ 2 deve ser rompida nos próximos dias. "Não tem como o BC ?brigar? contra o fluxo", disse Rodrigues . "O mercado vai testar os R$ 2", afirmou o gerente de câmbio da Fair Corretora, Mario Battistel. Ele explica que, formalmente, o BC não tem o objetivo de conter a queda do dólar. "A intenção declarada é evitar que haja muita oscilação." Mas, observa, se o BC quisesse segurar a moeda americana, teria de ser mais incisivo, como ontem.

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

21 de maio de 2009 | 00h00

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