BC considera alta do crédito moderada, mas cogita agir

Diretor do BC afirma que o mercado previa, no início do ano, crescer próximo de 30%, mas hoje as previsões não passam de 17%

Fernando Nakagawa e Adriana Fernandes, da Agência Estado,

29 de setembro de 2011 | 13h28

O diretor de Política Econômica do Banco Central (BC), Carlos Hamilton Araújo, disse que a instituição pode agir no mercado de crédito se avaliar necessário. "Se for necessário, se a gente identificar algum segmento do mercado de crédito que cresce acima do considerado razoável do ponto de vista da sustentabilidade do sistema, vamos agir", disse ele, durante entrevista sobre o Relatório Trimestral de Inflação, divulgado mais cedo.

Segundo ele, já houve moderação no crédito nos últimos meses. O diretor argumenta que o mercado previa, no início do ano, crescer próximo de 30%. "Hoje, porém, as instituições reconhecem que suas carteiras vão se expandir 15% ou 17% e até 13%. Acho que isso mostra que, de fato, o mercado tem moderado".

Para Hamilton, essa moderação acontece especialmente graças às medidas adotadas pela equipe econômica no fim do ano passado, como medidas macroprudenciais e o aperto monetário realizado no primeiro semestre.

Política fiscal

Carlos Hamilton avaliou que houve uma melhora da percepção do mercado financeiro em relação à política fiscal em 2011. "Parece que o ceticismo desapareceu", disse ele, numa referência às desconfianças do mercado em relação à capacidade do governo de implementar o corte de gastos anunciado no início do ano.

Ele destacou que a ação de política monetária teve três frentes no início do ano. A primeira delas foram as medidas para a contenção do crédito, que segundo o diretor se mostraram eficazes. A segunda frente foi o aumento da Selic (taxa básica de juros). A terceira frente foi justamente o reforço da política fiscal para a contenção da expansão do gasto público.

Hamilton lembrou que, no primeiro momento, alguns analistas acreditavam que o governo não faria essa redução dos gastos. Questionado, ele negou que o BC tenha perdida o "timing" para aumentar os juros.

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