BC constrói nova sede no Rio de Janeiro

Novo prédio está sendo construída onde, no século XIX, funcionava um armazém de mercadorias que chegavam e saíam do Brasil

Murilo Rodrigues Alves, Agência Estado

31 de maio de 2014 | 11h00

BRASÍLIA - O Banco Central ergue na capital fluminense uma grande caixa-forte para guardar todo o dinheiro fabricado no País em cima de outro tesouro, que foi soterrado ao longo do tempo. A nova sede do BC no Rio de Janeiro está sendo construída onde, no século XIX, funcionava um grande armazém, conhecido como trapiche, que guardava as mercadorias que chegavam e saíam do Brasil.

A mudança do Departamento de Meio Circulante (Mecir), maior centro de distribuição de dinheiro do País, do prédio tombado pelo patrimônio histórico na avenida Rio Branco para a região portuária é considerada estratégica pela instituição tanto pela segurança quanto pelas facilidades de acesso. Segundo o BC, o novo endereço - próximo do porto, do aeroporto Santos Dummont, da Avenida Brasil e da Linha Vermelha - favorece a logística de distribuição de dinheiro para todo o País, pois permite, inclusive, que seja feita pelo mar, além das vias terrestre e aérea.

Só em 2013, saíram da Casa da Moeda, localizada na zona Oeste do Rio, para o Mecir, 3,1 bilhões de cédulas e 2,3 bilhões de moedas. As operações de recebimento e remessa do dinheiro criam sérios transtornos ao trânsito da região central da capital fluminense.

Vestígios. No momento, do local onde vai ser guardado todo esse dinheiro no futuro e que resolveria a questão do trânsito estão sendo retirados e catalogados vestígios de pedras e madeiras, louças inglesas e garrafas de vinhos portugueses quebradas, entre outros itens. Na região, perto do cais, era despejado o lixo da cidade. Também foram achados objetos utilizados por escravos, como pulseiras, cachimbos, miçangas e amuletos.

A autoridade monetária planeja reunir no mesmo prédio todas as unidades administrativas do Rio, mas até agora só foi licitada a primeira parte da obra, de três andares, além do cofre. O contrato, fechado em dezembro de 2012 com a construtora goiana Engefort, que pediu recuperação judicial depois de ganhar a licitação, previa que o edifício fosse entregue em junho de 2013 ao custo de R$ 72,8 milhões. 

No entanto, as descobertas arqueológicas foram o principal motivo, segundo o BC, para que o contrato tivesse mais quatro aditivos, que encareceram a obra, até o momento, em R$ 5 milhões e prorrogaram o prazo previsto para a entrega em quase dois anos, até março do ano que vem. Uma empresa especializada em consultoria arqueológica foi contratada para o resgate e tratamento dos objetos.

Estrutura. A nova sede, que deve ter sete andares quando estiver totalmente concluída, abrigará todas as atividades do BC no Rio, incluindo as da avenida Getúlio Vargas. Para isso, a edificação será composta de três blocos: o cofre, com três andares (mais de 15 mil metros cúbicos de concreto e 1,5 milhão de quilos de aço foram usados); a garagem, com três pavimentos e o prédio administrativo, com sete andares. A instituição diz que áreas técnicas estudam se elaborarão mais aditivos ou se será preciso uma nova licitação, a depender do que a legislação permitir, para dar prosseguimento ao plano original. 

De acordo com o BC, limitações decorrentes de tecnologia disponível à época, associadas a dificuldade de natureza técnica, inviabilizaram a construção de casas-fortes e o estabelecimento de infraestrutura adequada para centralizar a tesouraria do BC no atual prédio, localizado na esquina da avenida Rio Branco com a rua Visconde de Inhaúma, região também tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Não há ainda uma definição sobre a destinação que se dará a esse prédio, mas a hipótese mais provável é que vire mais um museu do dinheiro. O prédio fica a pouca distância do Centro Cultural Banco do Brasil, que possui uma exposição sobre o início da circulação do dinheiro no Brasil. 

Por meio da assessoria de imprensa, o BC informou que aborda de "forma criteriosa" o assunto com o Iphan, cujos funcionários estão atualmente em greve, "para que o interesse público seja preservado em todas as suas nuances". "Os achados arqueológicos são patrimônio da União e assim são tratados pelo BC", diz a nota. Sobre a Engefort, o BC diz que ainda não tem uma "avaliação completa" da situação da empresa, mas garante que a instituição está atenta para que não ocorram prejuízos à administração pública.

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