Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Marcello Casal Jr/Agência Brasil

BC continua leilões de dólar e vai oferecer US$ 10 bi na próxima semana

Instituição registrou sua maior atuação no mercado cambial nesta quinta-feira, 14, vendendo 100 mil contratos de swap cambial

Fernando Nakagawa e Luci Ribeiro, O Estado de S.Paulo

14 Junho 2018 | 17h15
Atualizado 14 Junho 2018 | 23h30

BRASÍLIA - Apesar da artilharia pesada do Banco Central para conter a alta do dólar, a moeda americana voltou nesta quinta-feira, 14, para a casa dos R$ 3,80. Depois de vender em um único dia US$ 5 bilhões no mercado futuro, o BC anunciou que ofertará na semana que vem outros US$ 10 bilhões adicionais nos chamados contratos de swap cambial. 

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Desde 2002, quando o BC começou a usar esse instrumento, esta quinta feira, 14, foi o dia em que mais foram ofertados contratos: foram 100 mil em três leilões ao longo do dia. Mesmo assim, o dólar subiu mais de 2%.

Investidores que compram essa operação têm a garantia de receber a oscilação da moeda estrangeira em todo o período até o vencimento do contrato. Em troca, se comprometem a pagar juro em reais ao BC no período. Portanto, há uma “troca” de taxas. Por isso, a operação é chamada de “swap” – troca em inglês. 

A perspectiva de que os juros devem subir mais nos Estados Unidos faz com que investidores realoquem recursos em busca do retorno oferecido pela moeda da maior economia do mundo. Como consequência, todas as demais perdem valor. 

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O dólar mais forte pode provocar uma pressão inflacionária no País, uma vez que muitos insumos são cotados em dólar. Por isso, alguns economistas já preveem o aumento da taxa básica de juros (a Selic) ainda este ano 

O pessimismo foi acentuado em duas frentes. Nos EUA, há sinal de intensificação da guerra comercial com a notícia de que o governo Donald Trump pode impor tarifas para entrada de até 900 produtos chineses. Na Europa, o Banco Central Europeu rejeitou qualquer mudança de planos e indicou que deve manter juros baixos até o verão de 2019 no Hemisfério Norte.

Nesse contexto, moedas emergentes sofrem ainda mais porque muitas economias têm fragilidades por questões políticas ou problemas fiscais. 

No Brasil, a principal preocupação é a eleição. O temor dos investidores é que um candidato não reformista seja eleito – o que afasta a perspectiva de mudanças estruturais defendidas pelos economistas.

Para tentar amenizar o enfraquecimento do real, o BC agiu com força. No início da noite, anunciou que seguirá com a oferta desses contratos para amenizar a volatilidade e oferecer liquidez ao mercado. Em nota, a instituição informou que “estima oferecer montante em torno de US$ 10 bilhões” na próxima semana. O valor citado é menos da metade dos US$ 24,5 bilhões prometidos para a semana que termina nesta sexta-feira, 15. O BC nota, contudo, que o valor “poderá ser ajustado para cima ou para baixo, dependendo do mercado”.

Há uma semana, o órgão informou que colocaria no sistema US$ 20 bilhões em contratos novos de swap, para além da oferta diária de US$ 750 milhões. Com isso, até o dia 15, o montante total dos leilões chegaria a US$ 24,5 bilhões. De lá para cá, foram vendidos US$ 17,75 bilhões em contratos de swap.

Efeito Fed. O aperto nos juros dos Estados Unidos fez com que moedas em todo o mundo perdessem valor. Levantamento do Estadão/Broadcast mostrou que todas as 47 moedas cotadas perderam valor. Até as consideradas “porto seguro”, como dos países nórdicos, caíram. 

Na Argentina, a pressão dos investidores foi ainda mais forte e derrubou, além da moeda (queda de 6,54%), o presidente do BC. Nesta quinta, o peso argentino foi a divisa que mais perdeu valor em relação à divisa norte-americana e já são necessários 27,70 pesos para comprar um único dólar e, no início da noite, o jornal La Nacion informou a queda do presidente do BC argentino, Federico Sturzenegger. Luis Caputo, que ocupava o ministério de Finanças, será o substituto.

A queda de Sturzenegger e o derretimento do peso aconteceram mesmo após o anúncio da equipe econômica do presidente Maurício Macri de que serão oferecidos US$ 7,5 bilhões nos próximos dias para tentar amenizar a fraqueza do peso. O dinheiro virá do acordo de US$ 50 bilhões do país vizinho com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

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