BC da Argentina deve repassar para Tesouro US$ 19 bi este ano

Expansão monetária para cobrir déficit fiscal é recorde; país não tem como captar recursos por causa do estado de calote

ARIEL PALACIOS , CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

09 de setembro de 2014 | 02h04

A Argentina, neste segundo semestre do ano, depara-se com um cenário de crescente déficit fiscal ao mesmo tempo em que não conta com possibilidades de financiamento por causa do confronto nos tribunais dos Estados Unidos com os holdouts (denominação dos credores que não aceitaram as reestruturações dos títulos da dívida pública feitas pelo governo Kirchner em 2005 e 2010).

Dessa forma, o Banco Central argentino deve continuar emprestando dinheiro ao Tesouro Nacional.

Em agosto, segundo estimativas da consultoria Analytica com base em dados do Banco Central, a entidade monetária transferiu ao governo da presidente Cristina Kirchner 29,143 bilhões de pesos (US$ 3,47 bilhões no câmbio oficial), volume que marca um recorde. A transferência de agosto foi 350% superior ao volume transferido pelo BC em agosto do ano passado.

Os economistas calculam que no total, neste ano, para cobrir o déficit fiscal, o governo Kirchner protagonizará uma expansão monetária de 160 bilhões de pesos (US$ 19,277 bilhões). Desse total, o Banco Central da Argentina já repassou 55 bilhões de pesos (US$ 6,62 bilhões desde o início deste ano).

Avanço. A expansão monetária para respaldar o setor público federal cresceu de 50 bilhões de pesos em 2012 (US$ 11,01 bilhões na cotação oficial de dezembro daquele ano) para 100 bilhões de pesos (US$ 15,33 bilhões na cotação da época) em 2013. Nos últimos 12 meses a expansão acumulada foi de 120 bilhões (US$ 14,45 bilhões).

Segundo o relatório semanal da consultoria Economia & Regiones, "sem acesso ao crédito o crescente déficit fiscal potencializa o domínio fiscal, já que somente pode ser financiado com emissão monetária que o público não quer (queda da demanda de dinheiro), fato que acelera a inflação, acrescenta pressões cambiais e faz pressão sobre as reservas do Banco Central".

Segundo o economista Carlos Pérez, ex-diretor do Banco Central, "a política fiscal expansiva provoca o custo de uma maior desvalorização do peso argentino, com uma simultânea aceleração da inflação e a recessão econômica".

No primeiro semestre, o gasto público aumentou em 44% em comparação com o mesmo período do ano passado, enquanto que os ingressos cresceram 35%.

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