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BC da França sinaliza com empréstimos públicos a bancos

Programa implementado em 2008 pode ser reativado para ajudar na recapitalização do sistema financeiro

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2011 | 03h07

O sistema financeiro francês pode receber em caso de necessidade um novo programa de apoio com recursos do Estado. A confirmação foi feita ontem pelo presidente do Banco Central francês, Christian Noyer. A medida não pode ser tecnicamente considerada uma recapitalização pelo Estado, já que o governo não assumiria controle de parte das ações dos bancos, mas representaria uma injeção de recursos capaz de acalmar os mercados, que temem um risco sistêmico em caso de falência de países em crise de dívidas soberanas, como Grécia, Portugal e Itália.

Segundo Noyer, o governo de Nicolas Sarkozy não planeja a recapitalização dos bancos. A medida em vista seria a reativação do plano de contingência implementado em novembro de 2011, após a falência do banco de investimentos americano Lehman Brothers. Na prática, o governo francês concedeu empréstimos bilionários aos maiores bancos do país - entre os quais BNP Paribas, Société Générale e Crédit Agricole - como forma de prevenir a eventual desconfiança dos mercados financeiros sobre a saúde financeira do sistema.

Os empréstimos acabaram sendo ressarcidos antes do prazo previsto, e com os juros cobrados pelo Palácio do Eliseu. Segundo Noyer, essa medida pode ser suficiente para debelar a nova crise de confiança em relação aos bancos do país. "Não há nenhum plano (de recapitalização). E aliás nós não precisamos disso", afirmou, detalhando: "A única coisa que existe é o mecanismo de 2008 de uma empresa pública que pode subscrever os títulos de capital dos bancos se eles manifestarem necessidade. Logo, se houver um evento extraordinário, este mecanismo está a postos", garantiu.

Empréstimo. Em 2008, o programa criado pelo governo de Sarkozy colocou à disposição dos bancos um total de 320 bilhões, entre empréstimos e garantias, um montante que seria assegurado pela Empresa de Financiamento da Economia Francesa (Sfef). Então, apenas uma parte dos recursos chegou a ser tomada emprestada.

De acordo com Noyer, a estratégia do sistema financeiro da França e do Banco Central do país é implementar no menor prazo possível Basileia III, as novas normas de capital estipuladas pelo Banco de Compensações Internacionais (BIS) que supostamente tornarão as instituições mais sólidas. "Elas já estarão prontas a partir de 2013", afirmou Noyer.

A preocupação com a saúde do sistema financeiro francês cresceu nas últimas semanas em razão do risco de default na Grécia e a possibilidade de contágio da Itália e da Espanha pela crise das dívidas soberanas.

Investidores no exterior, os maiores bancos da França somam nada menos de 54,45 bilhões em obrigações emitidas pelos tesouros dos três países. Só o maior deles, o BNP Paribas, tem 24,1 bilhões em títulos emitidos por Roma. Essa conjuntura levou as instituições a uma queda progressiva nas bolsas de valores desde o início do ano.

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