BC da Grécia prevê contração de 2% no PIB deste ano

Segundo relatório, país está em um 'círculo vicioso'  e estimativas são incertas enquanto houver problemas nas finanças públicas

Cynthia Decloedt e Danielle Chaves, da Agência Estado,

22 de março de 2010 | 10h01

O Produto Interno Bruto (PIB) grego deverá ter contração de 2% neste ano, depois de o país entrar em recessão pela primeira vez em mais de uma década no ano passado e conforme as consequências da crise de dívida do governo pesarem sobre a economia, afirmou o Banco Central (BC) da Grécia, em seu relatório anual de política monetária. 

 

O relatório observou que a Grécia se encontra em um "círculo vicioso" enquanto tenta consertar suas problemáticas finanças públicas, o que torna as estimativas incertas. A Grécia vem sofrendo pressão da União Europeia e dos mercados financeiros para cortar seu déficit orçamentário - que, de acordo com o banco central, atingiu 12,9% do PIB no ano passado, levemente acima da previsão oficial do governo de 12,7%.

Como resultado desse déficit, a Grécia tem visto seus custos para tomar empréstimos aumentarem, enquanto busca 54 bilhões de euros (US$ 72,9 bilhões) em financiamento para cobrir suas necessidades. Em abril e maio o país precisa cobrir cerca de 22 bilhões de euros em dívidas que vencerão, o que tem pesado sobre o sentimento dos investidores à medida que os parceiros da União Europeia resistem a fornecer um pacote de ajuda para o país.

O BC da Grécia afirmou no relatório que a recessão do país neste ano, e sua eventual recuperação econômica, dependerão de o governo implementar completa e efetivamente as medidas de austeridade e outras reformas estruturais nos próximos anos. O relatório também destaca que a crise da Grécia ocorre enquanto a recuperação econômica mais ampla da zona do euro permanece frágil e ainda dependente de medidas de estímulo fiscal.

"A recuperação da zona do euro permanece frágil e ainda é baseada, em grande parte, em políticas fiscais extraordinárias que devem ser lentamente desativadas, dados os grandes déficits fiscais e dívidas que foram acumulados nas economias mais desenvolvidas", disse o Banco Central.

 

Bônus

 

O governo grego não precisa tomar recursos nos mercados financeiros internacionais até o final de abril e não decidiu quando retornará ao mercado, segundo o vice-ministro das Finanças, Philippos Sachinidis. Em entrevista concedida no final de semana para a rede de TV privada Mega, Sachinidis disse ainda que a Grécia tem outros meios para cobrir suas necessidades imediatas de financiamento.

 

"O país precisa tomar emprestado 54 bilhões de euros no total (este ano). Tomamos aproximadamente 15 bilhões de euros e temos a possibilidade, nesse momento, de nos mantermos até o final de abril; até aproximadamente o final de abril sem recorrer aos mercados", afirmou. "Não tomamos uma decisão se iremos captar no mercado", acrescentou. Ele disse ainda que "há um núcleo de necessidades de empréstimos que pode ser satisfeito por outras modos".

 

Desde o início do ano, a Grécia realizou duas captações por meio da venda de bônus de longo prazo no mercado de capitais, por meio de colocações privadas de títulos e leilão de títulos do Tesouro de curto prazo.

 

Entretanto, o país precisa cobrir 22 bilhões de euros em dívida com vencimento em abril e maio, o que provocou especulações de que o país tivesse de recorrer ao mercado de capitais no começo desta semana para levantar os recursos.

 

As autoridades gregas dizem que, antes de optar por uma nova emissão, o governo terá de esperar para ver o resultado do encontro deste final de semana dos líderes europeus, no qual as autoridades podem discutir uma ajuda para a Grécia.

 

As informações são da Dow Jones.

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