BC da Hungria mantém taxa de juros básica inalterada em 5,25%

Decisão foi tomada mesmo após o FMI e a UE suspenderam as negociações com o governo do país

Danielle Chaves, da Agência Estado,

19 de julho de 2010 | 10h20

O conselho de política monetária do Banco Central da Hungria manteve a taxa de juros básica sobre os títulos de duas semanas para os bancos comerciais inalterada no nível mínimo histórico de 5,25%, como esperado pela maioria dos economistas.

A decisão foi tomada mesmo depois de o florim húngaro se enfraquecer significativamente diante do euro após o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a União Europeia suspenderem as negociações com o governo do país no domingo.

Os economistas concordaram que a possibilidade de um afrouxamento monetário no curto prazo evaporou e muitos alertam que um aumento nos juros poderá vir mais cedo do que o esperado, especialmente se o florim cair mais diante do euro.

Até maio deste ano o banco central cortou a taxa básica de juros em 6,25 pontos porcentuais desde a elevação emergencial de 3 pontos porcentuais feita em outubro de 2008, quando o país foi atingido tão duramente pela crise de crédito que se tornou o primeiro país a pedir ajuda do FMI e da UE.

Limitação da flutuação do Florim

O Conselho de Política Monetária do Banco Central da Hungria prometeu limitar a extrema flutuação do florim diante do euro por meio da canalização de fundos da União Europeia para o mercado. A volatilidade na moeda húngara é possível nos próximos dias, em seguida à suspensão das negociações entre o governo e o Fundo Monetário Internacional (FMI) no fim de semana.

Em entrevista após a decisão de manutenção da taxa de juros de referência em 5,25%, o presidente do banco central, Andras Simor, afirmou que os fundos da UE para o país vão totalizar entre € 2,5 bilhões e  € 3 bilhões neste ano. Segundo ele, o banco central pode não direcionar o montante total para o mercado, mas apenas o que considerar necessário.

O banco central também afirmou que um aumento no prêmio de risco do país pode tornar necessária uma alta nas taxas de juros. "O prêmio de risco ainda está alto e volátil", escreveu a instituição em um comunicado depois da baixa dos ativos húngaros na manhã desta segunda-feira, em razão da falta de um acordo com o FMI. "O fato de não ter havido um acordo é infeliz e não é positiva para a avaliação de risco da Hungria", observou Simor.

No entanto, o presidente do banco central também afirmou que a taxa de inflação foi favorável em junho, com deflação no núcleo em vários setores, e uma forte queda é esperada na inflação em julho. Por isso, embora analistas considerem mais cortes nos juros fora de questão nos próximos meses - em razão, principalmente, da esperada queda do florim -, a inflação benigna no país pode possibilitar um afrouxamento da política monetária.

As conversas entre a Hungria, o FMI e a UE foram interrompidas neste fim de semana em razão da recusa do governo húngaro em implementar novas reformas. O FMI e a UE responderam a isso congelando o acesso da Hungria a uma linha de crédito concedida ao país em 2008. As informações são da Dow Jones.

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