Andy Rain/EFE/EPA
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BC da Inglaterra eleva juro pela 4ª vez seguida e prevê contração do PIB britânico em 2023

Persistência da inflação, agravada pela guerra na Ucrânia e surtos de covid-19 na China, explica nova alta no juro 

André Marinho e Sergio Caldas, O Estado de S.Paulo

05 de maio de 2022 | 08h18

O Banco da Inglaterra (BoE, o Banco Central inglês) aumentou nesta quinta-feira, 5, a taxa básica de juros para 1%, a quarta alta consecutiva, apesar do crescente risco de que o aperto monetário empurre a economia britânica à recessão. Dos 9 dirigentes que participaram da decisão, 6 votaram pela alta a 1% e 3 pela elevação para 1,25%. 

Paralelamente, o BoE reduziu a projeção do PIB do Reino Unido no ano que vem, de 1,25% para -0,25%. A projeção para o PIB deste ano foi mantida em 3,75%.

A persistência da escalada inflacionária, agravada pela guerra na Ucrânia e por surtos de covid-19 na China, explica uma nova alta no juro de 0,25 ponto, na visão de grande parte dos analistas consultados pelo Estadão/Broadcast

Em março, o BoE elevou seu juro principal de 0,5% para 0,75%, e indicou que as pressões globais nos preços continuariam nos meses seguintes. A definição, no entanto, foi interpretada como mais suave que o esperado, uma vez que ninguém votou por uma alta mais agressiva, de 0,5 ponto. Desde então, as expectativas se confirmaram, em meio à disparada das cotações de commodities energéticas.

A inflação ao consumidor (CPI) acelerou a 7% na comparação anual de março, no maior nível em três décadas, e a entidade acredita que o índice saltará para um pouco mais de 9% no segundo trimestre e deverá ficar em uma média um pouco superior a 10% no quarto trimestre, quando deverá atingir o pico. O BoE, no entanto, prevê que o CPI anual irá desacelerar para a meta oficial, de 2%, em dois anos, e diminuirá mais, para 1,3%, em três anos, se os juros subirem em linha com as expectativas de mercado. 

Em resumo, o BC inglês elevou sua previsão para a inflação britânica este ano, de 5,75% para 10,25%, e também para 2023, de 3,5% para 2,5%, mas reduziu para 2024, de 1,75% para 1,5%.

A decisão veio em linha com outras altas de juros em vários países, por conta da inflação alta. Na quarta-feira, 4, o Federal Reserve (o BC americano) aumentou sua taxa básica em 0,5 ponto, para uma faixa entre 0,75% e 1% ao ano. O BC brasileiro seguiu o mesmo caminho, aumentando a Selic em 1 ponto, para 12,75% ao ano. 

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