BC da Itália alerta sobre redução de fluxos de capital entre fronteiras

Diretor do Banco Central da Itália, Luigi Federico Signorini, avalia que não deve ser permitida a introdução de políticas de compartilhamento que afetem o conceito de mercado único

Clarissa Mangueira, da Agência Estado,

28 de junho de 2012 | 13h22

ROMA - É essencial que as regulações bancárias europeias emergentes não permitam que medidas no âmbito nacional bloqueiem os fluxos de capital e liquidez entre fronteiras, ou a introdução de políticas de compartilhamento que afetem o conceito de mercado único, afirmou o diretor de supervisão bancária do Banco Central da Itália, Luigi Federico Signorini.

A Itália é favorável à "promulgação substancial" dos regulamentos da Basileia 3 e uma estrutura de regras que sejam coerentes com os princípios acordados entre os membros do G-20, disse Signorini a banqueiros italianos em uma conferência a portas fechadas no início desta semana. O discurso dele foi divulgado hoje pelo Banco Central italiano.

Ele destacou a necessidade de uma "aplicação uniforme e rigorosa" das regras pela Autoridade Europeia Bancária (EBA).

Brigas recentes destacaram o risco de desunião bancária na Europa. Isso é relevante na Itália para o Unicredit, que possui grandes operações na Alemanha e na Europa Oriental, e para o BNP Paribas, que controla a BNL, um grande banco italiano especializado em empréstimos para empresas.

Ele observou que um rascunho de relatório de normas europeias sujeita atualmente a proporção de alavancagem - uma nova métrica importante destinada a reduzir riscos bancários - aos resultados das atividades de controle e permite diferentes modos de divulgação ao mercado.

Os bancos italianos tendem a usar ponderações de risco muito mais conservadoras que os bancos franceses e alemães. De acordo com as regulações de capital, isso leva a uma necessidade de capital maior na Itália do que em outros países europeus, o que dificulta a criação de condições equitativas em toda a Europa.

Signorini afirmou que as últimas cláusulas do rascunho sobre os sistemas de ponderação de risco dão maior importância aos ativos financeiros, reduzindo os temores de que as novas regras serão especialmente onerosas para os bancos que se concentram em atividades de crédito tradicional.

De acordo com as novas regras, os bancos italiano precisarão provavelmente de 14 bilhões de euros (US$ 17,5 bilhões) em capital adicional em 2019, abaixo da estimativa 24 bilhões de euros anunciados no verão passado, disse ele.

A melhora reflete os aumentos de capital efetuados por alguns bancos italianos, mas teria sido maior se não fosse por significativas perdas de marcação a mercado nos títulos soberanos que os bancos italianos possuem, acrescentou.

Mecanismo semiautomático

O governo italiano planeja propor um mecanismo semiautomático que possa permitir que os fundos de resgate da zona do que possam entrar nos mercados de bônus dos países para conter o custos de seus empréstimos, afirmou hoje uma autoridades europeia.

"A Itália está pronta para apresentar sua proposta e para negociar com outros parceiros europeus", afirmou a autoridade.

O primeiro primeiro-ministro italiano, Mario Monti, disse no começo desta semana que está disposto a ficar em Bruxelas até o domingo para tentar fechar uma acordo entre os líderes europeus que vão proteger o euro da crise de dívida soberana.

A proposta italiana usaria a Linha de Estabilidade Financeira Europeia (EFSF, na sigla em inglês) ou sua sucessora, o Mecanismo de Estabilidade Europeu (ESM, na sigla em inglês) para comprar bônus no mercado secundário com o objetivo de restaurar alguma calma no mercado de bônus dos países comprometidos com as metas fiscais da União Europeia.

Os detalhes da proposta europeia ainda precisam ser trabalhados, afirmou a autoridades da UE, mas eles serão discutidos na reunião da UE no final da quinta e sexta-feira.

As informações são da Dow Jones

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