BC: dados apontam recuperação do PIB neste trimestre

O Banco Central (BC) avalia que os recentes indicadores econômicos do País apontam para a recuperação da atividade econômica já neste trimestre. A avaliação consta do Relatório Trimestral de Inflação, divulgado hoje pela autoridade monetária. Entre os indicadores citados pela autoridade monetária no documento para essa avaliação, estão a produção industrial, índices de confiança, uso da capacidade instalada e as concessões de empréstimos a pessoas físicas.

ADRIANA FERNANDES E FERNANDO NAKAGAWA, Agencia Estado

26 de junho de 2009 | 09h49

No documento, os diretores do BC chamam a atenção para o fato de que "depois de dois trimestres consecutivos de recuo do PIB (Produto Interno Bruto), indicadores coincidentes e antecedentes apontam para o início da recuperação neste trimestre". No último trimestre de 2008, o PIB brasileiro caiu 3,6% e, nos três primeiros meses de 2009, a queda da atividade econômica foi de 0,8%, o que se caracterizou por um cenário de recessão técnica.

Segundo o BC, essa melhora das condições acontece, porém, "ainda de forma gradual". "Na verdade, a queda do PIB no primeiro trimestre do ano em intensidade menor do que os analistas de mercado esperaram levou, até o momento, a alguma revisão para cima das expectativas de crescimento do PIB para 2009, ou pelo menos à interrupção de sua deterioração", diz o texto. Por isso, segundo o BC, permanece ainda razoável incerteza sobre projeções de expansão do PIB este ano.

Nesse mesmo trecho do documento, os diretores do BC afirmam que o comportamento "dos componentes da demanda agregada" tem sido bastante diferenciado. "Investimento e exportações reduziram-se significativamente no primeiro trimestre, o consumo do governo manteve taxas positivas, e o consumo das famílias cresceu", cita.

Tripé

Segundo o BC, a perspectiva de recuperação da economia brasileira é baseada em um tripé, formado pela não ocorrência de choques gerados pela crise, pelas políticas monetária e fiscal e pela resistência no consumo.

No documento, os diretores da autoridade monetária chamam a atenção para os aspectos que devem permitir que haja recuperação do PIB brasileiro. O primeiro fator diz respeito à situação relativamente tranquila se comparada ao que ocorreu no País em crises anteriores, mesmo nas de menor intensidade. "Não houve ruptura no Balanço de Pagamentos, crise financeira do setor público, alta da inflação ou desconfiança de mudança de regime", cita o texto. "Em resumo, como ressaltado em diversas ocasiões, a economia brasileira está mais resistente a choques externos", completa o texto.

O segundo fator trata da manutenção de políticas monetária e fiscal responsáveis. Para o BC, a política monetária não gera "prejuízo do compromisso com as metas para a inflação" e a atuação fiscal tende "a contribuir para a retomada da atividade econômica".

O tripé é completado pelo consumo. Na visão dos diretores do BC, esse item "está relativamente resistente, em parte em função do recuo da inflação". Nesse trecho do documento, o BC destaca ainda que em comparação ao quadro de março "o clima de confiança se alterou para melhor no País e parece emergir certo consenso de que o pior da crise já teria sido superado".

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