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BC de Meirelles usou ‘parcimônia’ ao sinalizar cortes menores

Palavra começou a ser usada nas atas do Copom em abril de 2006, mês em que o atual presidente do BC, Alexandre Tombini, tomou posse na diretoria de normas

Olívia Bulla e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

26 de abril de 2012 | 12h25

Ao menos no Banco Central conduzido por Henrique Meirelles, o ciclo de afrouxamento monetário "parcimonioso" contou com cortes iniciais de 0,50 ponto porcentual e, depois, com ajustes menores, de 0,25 ponto porcentual. Esse processo ocorreu entre abril de 2006 e julho de 2007, quando a taxa básica de juros (Selic) ainda estava na casa de dois dígitos.

Foi o BC de Meirelles que cunhou o termo "parcimônia" nos documentos da Casa. Curiosamente, a palavra começou a ser usada exatamente em abril de 2006, mês em que o atual presidente da autoridade monetária, Alexandre Tombini, tomou posse na diretoria de normas e, interinamente, também na cadeira de Assuntos Internacionais. Na época, a "parcimônia" foi adotada para demonstrar que os cortes deveriam continuar, mas de maneira diferente.

A primeira ata do Comitê de Política Monetária (Copom) que afirmou que a flexibilização adicional da política monetária seria conduzida com "maior parcimônia" foi a da 118ª reunião, ocorrida entre 18 e 19 de abril de 2006. Nela, o colegiado optou por reduzir a Selic de 16,50% em março para 15,75% ao ano - ou seja, em 0,75 ponto porcentual.

Porém, a partir daí, foram cinco cortes consecutivos de 0,50 ponto porcentual, levando a Selic para 13,25% ao ano, em novembro de 2006. Na ata dessas reuniões, o Banco Central afirmava que "tendo em vista as incertezas que cercam os mecanismos de transmissão da política monetária e a menor distância entre a taxa básica de juros corrente e as taxas de juros que deverão vigorar em equilíbrio no médio prazo, o Copom entende que a preservação das importantes conquistas obtidas no combate à inflação e na manutenção do crescimento econômico, com geração de empregos e aumento da renda real, requer que a flexibilização adicional da política monetária seja conduzida com maior parcimônia".

Para os diretores do BC, a "parcimônia" foi a maneira de demonstrar que a estratégia de redução dos juros continuava, mas, como os riscos cresciam, deveria ser executada com mais cuidado. Era quase como um aviso de que o barco seguia para frente, mas poderia parar em breve porque turbulências estavam no radar.

Apenas no documento referente ao encontro de maio de 2006 o termo usado foi "parcimônia" - e não "maior parcimônia" - mas, mesmo assim, o ritmo de cortes seguiu em 0,50 ponto porcentual.

A magnitude dessa redução ficou menor apenas a partir de janeiro de 2007, quando o BC voltou a usar o termo "parcimônia" - sem o "maior" - e avaliava que as informações sobre o cenário macroeconômico disponíveis naquele momento justificavam uma mudança de ritmo da flexibilização. Então, ocorreram mais três cortes de 0,25 ponto porcentual, para 12,50%.

Posteriormente, porém, em junho de 2007, o Copom voltou a reduzir a Selic em 0,50 ponto porcentual, por duas vezes, encerrando o ciclo de alívio monetário em setembro daquele ano, quando ocorreu a último corte, novamente menor, de 0,25 ponto, o que levou a taxa para 11,25% ao ano.

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