BC defende cautela nos juros diante de cenário de incertezas

Ata do Copom indica que taxa de 8,75% é adequada para manter a inflação sob controle em tempos de crise

FERNANDO NAKAGAWA E FABIO GRANER, Agencia Estado

10 de setembro de 2009 | 10h46

O Comitê de Política Monetária (Copom) afirma na ata da reunião de setembro, divulgada hoje, que a manutenção da taxa de juros em 8,75% é a mais indicada para lidar com a incerteza inerente ao processo de formulação e de implementação da política monetária.

 

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Na ata, o Copom também repetiu a avaliação, divulgada logo após o anúncio da última decisão sobre o juro básico da economia, de que o atual patamar da Selic, de 8,75% ao ano, é "consistente com um cenário inflacionário benigno". Em um trecho do documento, os diretores do BC afirmam que o atual nível do juro contribui "para assegurar a manutenção da inflação na trajetória de metas ao longo do horizonte relevante e para a recuperação não inflacionária da atividade econômica".

 

O texto  diz ainda que a estratégia adotada pelo Banco Central (BC) tem como objetivo "manter a inflação em patamar consistente com a trajetória de metas em 2009, 2010 e 2011". A avaliação, feita no trecho 22 do documento, difere da realizada em julho, quando os membros do comitê afirmavam que as ações tinham como objetivo fazer com que "a inflação retorne à meta central de 4,5%, estabelecida pelo CMN (Conselho Monetário Nacional) em 2009 e mantê-la em patamar consistente com a trajetória de metas em 2010 e 2011".

Os diretores do BC encaram, atualmente, que a inflação dos três anos (2009, 2010 e 2011) já está em um patamar consistente com a meta de 4,5%. O documento ainda repete a avaliação de que a estratégia adotada pelo BC "terá seus resultados evidenciados ao longo do tempo" e "leva em conta as defasagens do mecanismo de transmissão".

Indústria

A ata do Copom traz ainda uma avaliação sobre o desempenho da indústria. Os diretores do BC avaliam que os indicadores econômicos continuam "mostrando melhora desde a última reunião do Copom". A reação da atividade acontece, "notadamente", no que se refere ao consumo e, mais recentemente, "também aos dados sobre a indústria, ainda que estes sigam refletindo a acomodação da demanda externa".

O colegiado também avalia que o crédito mantém sinais de recuperação, em especial nas operações para pessoas físicas. No caso da confiança de consumidores e empresários, há sinais "mais consistentes" de recuperação.

Preços

A estimativa do BC para o comportamento do preço do gás de bujão em 2009 subiu de forma expressiva. De acordo com a ata da reunião do Copom da semana passada, a estimativa para o aumento do preço passou de zero para 6,9%. Em compensação, a previsão para o aumento das tarifas de telefonia fixa no acumulado de 2009 caiu de 5% para 1,1%. Já a estimativa de reajuste da eletricidade subiu de 5% para 5,4%, na mesma base de comparação. A expectativa de aumento do conjunto dos preços administrados (tarifas públicas) em 2009 manteve-se em 4,5%.

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