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BC defende postura cautelosa diante de cenário ainda incerto

Diante da retomada gradual da atividade, Copom entende que 'pressões inflacionárias devem seguir contidas'

Fabio Graner e Fernando Nakagawa, da Agência Estado,

29 de outubro de 2009 | 08h58

A ata da reunião de outubro do Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), divulgada nesta quinta-feira, 29, mantém a avaliação, também observada em setembro, de que a política monetária deve manter postura cautelosa. O Copom entende que a tomada de decisões que podem ser entendidas como conservadoras reduzem o risco de uma reversão inesperada dos rumos da economia. Na última reunião, o comitê manteve a taxa de juros, a Selic, em 8,75% ao ano.

 

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"O Copom considera que uma postura mais cautelosa contribuirá para mitigar o risco de reversões abruptas da política monetária no futuro e, assim, para a recuperação consistente da economia ao longo dos próximos trimestres", diz a ata.

 

Os diretores da instituição lembram que as decisões sobre a taxa Selic precisam levar em conta os cortes realizados entre janeiro e julho de 2009, "cujos impactos sobre diversos indicadores econômicos ficarão evidentes ao longo do tempo, em contexto de retomada paulatina da utilização dos fatores de produção".

 

O texto afirma, ainda, que a preservação das perspectivas inflacionárias benignas "irá requerer que o comportamento do sistema financeiro e da economia sob um novo patamar de taxas de juros seja cuidadosamente monitorado ao longo do tempo".

 

Diante de um quadro de retomada gradual da atividade, o BC entende que "as pressões inflacionárias devem seguir contidas". Em outro trecho do documento praticamente idêntico ao observado em setembro, os diretores dizem que "em torno desse cenário básico, existem incertezas que deverão ser dirimidas ao longo dos próximos meses, com viés tanto positivo quanto negativo sobre o ritmo de recuperação da atividade".

 

Inflação na mira

 

Apesar de afirmar que "continuam favoráveis as perspectivas de concretização de um cenário inflacionário benigno", a ata diz que o quadro macroeconômico contém incertezas importantes e que "o Copom avalia que a política monetária deve manter postura cautelosa, com vistas a assegurar a manutenção da convergência da inflação para a trajetória de metas".

 

Além disso, a ata cita dois fatores de risco para a inflação no curto prazo. De acordo com avaliação feita no parágrafo 22 do documento, há potencial risco gerado pelos "mecanismos de reajuste que contribuem para prolongar no tempo pressões inflacionárias observadas no passado". O mecanismo de reajuste de preço é comum em contratos que usam a inflação passada, como as tarifas públicas e aluguéis. Entre esses preços, o texto cita os serviços e itens monitorados.

 

Outro fator de risco para a inflação no curto prazo é a evolução dos preços das commodities internacionais, que podem gerar pressão no mercado interno pelo fato de os valores nos vários mercados globais estarem diretamente atrelados.

 

Ociosidade deve continuar

 

O Copom avalia ainda que a ociosidade existente nos meios de produção, um dos motivos para o cenário inflacionário benigno, não deve acabar rapidamente mesmo com o aumento da demanda no mercado interno. A avaliação consta do parágrafo 25 do documento e é muito semelhante ao prognóstico feito um mês antes, na ata de setembro.

 

No texto, o Comitê observa que persiste "sensível margem de ociosidade dos fatores de produção, que não deve ser eliminada rapidamente em um cenário básico de recuperação gradual da atividade econômica".

 

Apesar dessa avaliação de que há espaço para a produção crescer, os diretores da autoridade monetária afirmam que "o Comitê considera que a acomodação da demanda, motivada pelo aperto das condições financeiras e pela deterioração da confiança dos agentes, bem como pela contração da economia global, poderia estar sendo superada".

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