BC deixa de atuar após uma semana e dólar cai ante o real

Cenário:

SILVANA ROCHA, O Estado de S.Paulo

19 de setembro de 2012 | 03h08

O dólar no mercado à vista de câmbio fechou em baixa e nas mínimas do dia, ontem, na contramão da valorização da divisa dos EUA ante o euro e algumas moedas de países emergentes correlacionadas com commodities, como o dólar australiano. Na primeira parte dos negócios, o dólar chegou a subir ante o real, acompanhando a alta no exterior e pressionado por um fluxo cambial mais negativo em meio à dúvida se o Banco Central (BC) voltaria a fazer compra de moeda no mercado futuro, via leilão de swap cambial reverso. Sem a atuação do BC até o fim da manhã, os agentes financeiros foram ofertar dólar no mercado, pressionando as cotações para baixo.

Ontem foi a primeira vez em uma semana que a autoridade monetária não atuou no câmbio, seja por meio de consulta sobre eventual demanda por dólar ou de realização, de fato, de leilão de swap reverso. Desse modo, a taxa Ptax do dólar recuou a R$ 2,0274 (-0,19%). Já no mercado à vista, o dólar encerrou na mínima, a R$ 2,022, com queda de 0,34% no balcão. Como o BC não foi a mercado, a percepção é de que o investidor não se sentiu estimulado a carregar posições maiores em dólar, em face da expectativa de aumento da liquidez em escala mundial com a nova rodada de relaxamento quantitativo nos Estados Unidos. O volume financeiro ficou relativamente fraco, porque a greve dos bancários, iniciada ontem, afetou negócios com o câmbio em instituições de pequeno e médio porte.

No segmento de juros futuros, as taxas em praticamente toda a curva ficaram em níveis próximos ao ajuste da véspera. O contrato para janeiro de 2014, que reflete as expectativas para a política monetária em 2013, foi exceção ao apresentar alta, a 7,84%, de 7,79% anteriormente. O ajuste ocorreu porque o mercado não chancela a avaliação do governo quanto à inflação sob controle no próximo ano e, portanto, discorda da crença de que não deve haver necessidade de elevar a Selic em 2013. E seguem minoritárias as apostas sobre novo corte do juro básico no encontro de outubro do Comitê de Política Monetária (Copom), diante dos sinais de retomada da atividade e da inflação.

Na renda variável, a incerteza sobre o pedido de ajuda financeira pela Espanha ao Banco Central Europeu (BCE) e o corte da perspectiva de lucros para o ano pela Fedex pesaram e grande parte das bolsas de valores encerrou no vermelho. A Bovespa, após oscilar entre leves ganhos e perdas, fechou estável, aos 61.804,33. A valorização acumulada no mês ficou em 8,31% e, no ano, em 8,90%.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.