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BC deixa em aberto novos cortes, não tão substanciais

A forte desaceleração da economia no último trimestre do ano passado pesou decisivamente na decisão do Banco Central de cortar a taxa Selic em 1,5 ponto porcentual, mas não deve sustentar apostas de novos cortes dessa magnitude nos próximos meses. O governo definiu a posição da diretoria do Banco Central como uma demonstração de ?sintonia? com as ações para enfrentar a crise e o ?melhor antídoto? para reverter as expectativas pessimistas alimentadas pela queda de 3,6% da atividade econômica no último trimestre do ano passado.?Quando o Banco Central toma uma atitude como essa mostra um afinamento total com o governo?, disse uma fonte do Planalto. A sintonia parece tão ajustada que até mesmo a interpretação do comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, ontem à noite, ganha coerência quando o assunto é a forma de posicionamento da diretoria do BC. ?Foi uma medida forte, sem dúvida. E o comunicado permite a leitura de que o Meirelles (Henrique Meirelles, presidente do Banco Central) está dizendo que não se sente obrigado a fazer cortes de 1,5 ponto porcentual mais uma vez?, comentou essa fonte.No comunicado, o Banco Central reafirma que o foco da ação da política monetária é o controle da inflação. E deixou claro que o Copom vai acompanhar a evolução dos preços e os impactos dos cortes já realizados para avaliar o comportamento da meta de inflação, fixada em 4,5% para este ano.?A leitura não pode ser outra?, disse ainda o assessor ao se referir ao trecho do comunicado em que o BC afirma que ?acompanhará a evolução da trajetória prospectiva para a inflação até a sua próxima reunião, levando em conta a magnitude e a rapidez do ajuste da taxa básica de juros já implementado e seus efeitos cumulativos, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária?.O corte, que colocou a Selic em 11,25% ao ano, não chegou a surpreender o Palácio do Planalto. Os dados sobre o Produto Interno Bruto (PIB), divulgados na terça-feira pelo IBGE, vieram muito piores do que se esperava, e todos aguardavam a posição do BC. Ninguém desconhecia que a tendência da diretoria do Banco Central era manter o ritmo de queda da taxa Selic em 1 ponto porcentual, o mesmo adotado na última reunião de janeiro deste ano. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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