BC: demanda mais fraca criou ociosidade na produção

A ata da reunião de junho do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada hoje, avalia que o desaquecimento da demanda criou "importante margem de ociosidade dos fatores de produção". Essa avaliação é uma das explicações para a decisão que surpreendeu o mercado financeiro, de corte de 1 ponto porcentual (pp) na taxa básica de juros, a Selic, na semana passada, ante expectativa de redução de 0,75 pp. Segundo o documento, o aperto das condições financeiras, a queda da confiança e a contração da economia global explicam a redução da demanda.

FABIO GRANER E FERNANDO NAKAGAWA, Agencia Estado

18 de junho de 2009 | 09h46

Os diretores da autoridade monetária entendem que essa ociosidade na produção "não deve ser eliminada rapidamente em um cenário de recuperação gradual da atividade econômica". "Esse desenvolvimento deve contribuir para conter as pressões inflacionárias", cita a ata.

O trecho aproveita para reafirmar que a flexibilização da Selic, realizada desde janeiro deste ano - período em que o juro básico foi reduzido em 4,5 pp - terá "efeitos cumulativos, que serão evidenciados após certa defasagem temporal, sobre a economia".

Inflação

O Copom avalia que o cenário benigno para a inflação continua se consolidando no Brasil. De acordo com o documento, há uma série de fatores domésticos que explicam o comportamento dos preços em trajetória não preocupante, todos ligados à queda do ritmo de atividade econômica.

Entre eles, o destaque fico por conta da redução da produção industrial, de indicadores do mercado de trabalho e das taxas de utilização da capacidade na indústria. Também são lembrados o comportamento dos indicadores ligados à confiança de empresários e consumidores. Tudo isso, segundo o BC, gera condições para que continue "se consolidando as perspectivas de concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual o IPCA voltaria a evoluir de forma consistente com a trajetória das metas". O centro da meta de inflação para 2009 é de 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para baixo ou para cima.

A possibilidade de que pressões inflacionárias localizadas, principalmente no atacado, venham a se transformar em riscos ao cumprimento da meta diminuiu entre abril e junho, diz a ata do Copom. "Os sinais de substancial acomodação da demanda doméstica e de moderação de pressões sobre o mercado de fatores de produção, ainda que permaneçam sujeitos a incertezas, devem ensejar redução do risco de repasse de pressões altistas sobre preços no atacado para os preços ao consumidor?, diz o documento. Nesse trecho, os diretores do BC destacam que "segundo indicadores disponíveis" o comportamento da demanda interna "deverá exercer menos pressão sobre os preços dos itens não transacionáveis, como os serviços, nos próximos trimestres".

Assim, os riscos para a trajetória da inflação são praticamente todos relacionados a fatores internos, diz o Copom.

Apesar dessa avaliação tranquilizadora, os diretores do BC ressalvam que "a despeito de haver margem residual para um processo de flexibilização, a política monetária deve manter postura cautelosa".

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