BC destaca risco de inflação e pode continuar a subir juros

Copom diz que elevação da Selic, para 11,75%, teve como objetivo fazer com que IPCA seguisse dentro da meta

Fernando Nakagawa e Fabio Graner, da Agência Estado,

24 de abril de 2008 | 08h58

A ata da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) que elevou a taxa básica (Selic) de juro em 0,50 ponto porcentual para 11,75% ao ano na semana passada destaca que o aquecimento e a deterioração das expectativas de inflação aumentaram o risco para o comportamento do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). De acordo com o texto divulgado nesta quinta-feira, 24, pelo BC, "são relevantes os riscos para a concretização de um cenário inflacionário benigno, no qual o IPCA seguiria evoluindo de forma consistente com a trajetória das metas". O IPCA é o índice oficial utilizado para cumprir o regime de metas de inflação.   Veja também:    Em decisão unânime, Copom sobe taxa Selic para 11,75%  Confira a evolução da Selic desde o início do governo Lula  Compare a taxa básica da economia com os juros cobrados ao consumidor  Veja especial sobre a crise dos alimentos    Além de explicar a decisão e listar alguns dos efeitos do aumento do juro, os diretores do BC destacam que o banco está "pronto para atuar enquanto o balanço dos riscos para a dinâmica inflacionária assim o requerer". O documento destaca ainda que a persistência de eventuais descompassos entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta tende a aumentar o risco para a inflação."Nessas circunstâncias, a política monetária deve atuar, por meio do ajuste da taxa básica de juros", explica o texto da reunião que aumentou o juro básico da economia pela primeira vez em três anos (a taxa Selic não era elevada desde maio de 2005).O BC avalia que a decisão de aumentar o juro "contribui para a convergência entre o ritmo de expansão da demanda e oferta". O aperto monetário, diz a ata, também evita que "pressões originalmente isoladas sobre os índices de preços levem à deterioração persistente das expectativas e do cenário prospectivo para a inflação".No documento, o texto ainda afirma que o comitê entende que "está, de fato, contribuindo para a sustentação do crescimento". Essa contribuição, explica o documento, ocorre porque a expansão da economia "requer estabilidade, previsibilidade e a conseqüente extensão do horizonte de planejamento das empresas e famílias, bem como para resguardar os importantes incrementos na renda real dos assalariados observados nos últimos anos".   1- Inflação - IPCA   A projeção para o IPCA em 2009 no cenário de referência - aquele desenhado pelo Banco Central - subiu e superou o centro da meta de inflação, de 4,50%. No documento, os diretores do BC dizem que "a projeção do cenário de referência elevou-se em relação ao valor previsto na reunião de março". O texto não cita qual a projeção.   Na última reunião, o documento dizia que a expectativa para o IPCA no cenário de referência no próximo ano havia subido, mas que permanecia "abaixo do valor centro de 4,50%". No Relatório Trimestral de Inflação de março, a expectativa do BC era de IPCA de 4,40%. Mas no documento divulgado nesta quinta, o BC admite que a expectativa oficial, agora, supera esse valor central.   No cenário de mercado - desenhado pelos analistas, o texto destaca que a projeção para a inflação em 2009 caiu, mas que também continua acima do centro da meta de 4,50%.   Sobre a expectativa de evolução do IPCA em 2008, o documento cita que houve "significativamente" elevação em relação no cenário de referência e "forte" alta no cenário de mercado. Após esse movimento, as duas projeções continuam acima do centro da meta de inflação, de 4,50%.   2 - Gasolina   O BC manteve a avaliação de que os preços da gasolina e do gás de cozinha devem permanecer estáveis em 2008, mas afirmou que aumentou a possibilidade de alteração desse cenário, com eventual aumento de preço. O texto destaca que "a probabilidade de se configurar um cenário alternativo venha aumentando". Os diretores do BC admitem que o petróleo é "fonte sistemática de incerteza" e que seu preço "elevou-se consideravelmente desde a última reunião do Copom e continua altamente volátil".   Para o BC, o aumento do petróleo reflete mudanças estruturais no mercado energético mundial, "que têm impedido a recuperação dos níveis de estoques tradicionalmente observados". Tensões geopolíticas recorrentes também seriam a outra fonte de pressão sobre os preços.   3 - Tarifas públicas   O Banco Central mantém a previsão de que o conjunto de preços administrados - as tarifas públicas - deve ter aumento de 4% em 2008 e elevação de 4,50% em 2009. Os diretores do BC alteraram a avaliação sobre o comportamento das tarifas de eletricidade, que devem subir apenas 0,10% em 2008. Na ata anterior, a previsão era de aumento de 1,1%. Com relação às tarifas de telefonia fixa, foi mantido cenário que aponta para aumento de 3,50% em 2008.   4 - Atuação do BC   A ata da reunião do Copom admite que há risco de que a previsão de aumento da inflação possa se tornar persistente entre os analistas do mercado financeiro. Para tentar combater essa possibilidade, o BC defende a atuação "mais efetiva" para que os objetivos da autoridade monetária possam ser atingidos com mais eficácia.   "Nas atuais circunstâncias, existe o risco de que os agentes econômicos passem a atribuir maior probabilidade a que elevações da inflação sejam persistentes, o que implicaria redução da eficácia da implementação da política monetária", diz o documento no parágrafo 23.   Diante desse cenário e respaldado pela experiência internacional, o Copom diz que "a atuação da política monetária tende a ser mais efetiva, atingindo seus objetivos com maior rapidez, quando a deterioração da dinâmica inflacionária está em seus estágios iniciais, do que quando esta se encontra consolidada".

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