Beto Barata/Estadão
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BC deve cortar ao menos 0,75 dos juros, diz ex-secretário do Tesouro

"Não temos condição de dar resposta fiscal", disse o ex-secretário do Tesouro, afirmando que Brasil precisa usar política monetária

Altamiro Silva Junior, Broadcast/Estadão

15 de março de 2020 | 20h51

Após a ação extraordinária do Federal Reserve (o banco central dos EUA) neste domingo, 15, e de outros bancos centrais ao redor do mundo, o diretor do ASA Bank e ex-secretário do Tesouro, Carlos Kawall, avalia que o "mais adequado" para o Banco Central brasileiro seria cortar a taxa básica na reunião de política monetária desta semana em 0,75 ponto ou mesmo acima desse nível. 

O Fed cortou as taxas em 1 ponto porcentual e o BC da Nova Zelândia em 0,75 ponto, ambos em reuniões extraordinárias. Kawall não descarta a possibilidade de o BC brasileiro também se antecipar e anunciar corte antes do final da reunião, marcada para os dias 17 e 18.

"Não temos condição de dar resposta fiscal", disse o ex-secretário do Tesouro, afirmando que o Brasil precisa usar o espaço que tem na política monetária, baixando juros, e cambial, usando as reservas internacionais. Para Kawall, quanto menos o governo usar as políticas cambiais e monetárias, mais vai crescer a pressão corporativista para flexibilização fiscal, pedindo, por exemplo, isenções ou corte de impostos.

"O Brasil precisa pisar no acelerador da política fiscal e cambial", disse o economista. "Nossa resposta para a crise do coronavírus tem de ser na política monetária e cambial, é onde temos gordura", disse ele. "Quanto menos fizermos, mais vamos correr o risco de recessão", afirma Kawall, ressaltando que este risco tem se tornado mais provável.

Kawall diz que as autoridades financeiras e governos ao redor do mundo estão mostrando disposição para dar respostas "fortes e contundentes" à crise gerada pela pandemia do coronavírus e seus efeitos na atividade. A ação do Fed hoje, que colocou os juros perto de zero e ainda lançou novo programa de compra de ativos de ao menos US$ 700 bilhões, mostra que o BC americano entrou no modo "fazer o que for preciso", assim como outras instituições pelo mundo.

A reação do mercado até o momento, com os índices futuros de ações em Nova York caindo perto de 5%, que fizeram atingir o limite de baixa, sinaliza o temor de que "o médico pode estar dando um remédio mais forte do que o doente precisa", mas para Kawall, quanto mais cedo se agir, e quanto mais contundente, melhor. Essa, por exemplo, é uma avaliação da crise de 2008, quando alguns governos e bancos centrais demoraram muito para entrar em ação e acabaram aprofundando os efeitos da crise.

Ficou a ideia em 2008/2009 de que se fez "muito pouco, muito tarde", disse o economista. Por isso, agora a tentativa de ação mais contundente e mais rápida. "A falta de coordenação em 2008 foi claramente um elemento determinante do prolongamento da crise." Por isso, a ação do Fed hoje e de outros bancos centrais, como o da Nova Zelândia, que também cortou juros de forma extraordinária, é uma forma de agir de forma preventiva. "Houve um aprendizado com a crise de 2008."

Para Kawall, ao anunciar novo programa de liquidez, um dos efeitos pode ser barrar a valorização do dólar no mercado internacional. Já o programa de swap vai permitir que BCs tenham acesso a liquidez em dólar.

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