BC deve cortar Selic hoje pela 9ª vez seguida

Mercado aposta que não será o último corte do ano; hoje a taxa deve ir a 7,5%

EDUARDO CUCOLO / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

29 de agosto de 2012 | 03h09

Há um ano, o Banco Central dava início ao mais polêmico ciclo de cortes da taxa básica de juros, que pode acabar em breve. A aposta praticamente unânime do mercado financeiro é que o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC anuncie no início desta noite o nono corte consecutivo da taxa Selic, dos atuais 8% para 7,5% ao ano. A dúvida agora é se haverá outras reduções da taxa que serve de parâmetro para o preço do dinheiro na economia e para a poupança.

Por isso, o foco dos economistas estará, principalmente, no comunicado que acompanha o anúncio do Copom. Há basicamente três avaliações. A primeira é que o BC pare de reduzir a taxa após a decisão de hoje, apostando na recuperação da economia daqui para a frente e de olho na expectativa de alta da inflação em 2013. Essa é a visão da consultoria LCA, que conta com queda menor do juro agora e espera ainda que o BC não eleve tão cedo a Selic no próximo ano.

A aposta ainda predominante, no entanto, é que a instituição reduza os juros novamente na reunião marcada para o início de outubro. Nesse caso, o BC pode optar por uma redução para 7,25%, como prevê a maioria dos analistas, ou até chegar a 7%. Em todos os casos, trata-se dos menores níveis da história.

No mercado de juros futuros, por exemplo, os contratos negociados ontem na BM&F Bovespa apontavam para esse caminho. O juro projetado para janeiro de 2013 estava em 7,26%.

Muitos também acreditam que o BC deixará "porta aberta", ou seja, vai esperar novos dados para reavaliar a política de juros. "O BC vai proceder com maior cautela após essa reunião, devendo sinalizar para o mercado que o prolongamento do ciclo de afrouxamento monetário até a reunião de outubro dependerá da evolução tanto da atividade econômica doméstica quanto do cenário internacional", diz o estrategista-chefe do Banco WestLB, Luciano Rostagno.

No próximo dia 31, fará exatamente um ano que o BC iniciou o ciclo de corte dos juros que surpreendeu o mercado. Na época, a Selic estava em 12,5%. Apesar do risco de a inflação ultrapassar o limite da meta, a instituição disse na época que a crise internacional iria durar mais que o esperado e jogaria para baixo o crescimento da economia e também os índices de preços.

Desde então, a avaliação dos economistas é que o BC está mais focado na recuperação da atividade do que nos riscos para a inflação, esta última, sua missão oficial. Também é quase unânime o entendimento de que o BC acertou ao se antecipar à desaceleração da atividade.

Consumidor. Até agora, os números da economia geram mais dúvidas do que certezas. O mês de junho apresentou os dados mais positivos desde o início de 2011, mas alguns indicadores de julho mostram que a atividade segue em ritmo lento, e economistas já veem um crescimento abaixo de 2% neste ano.

Um dos principais objetivos do corte da taxa básica é baratear o crédito. Os dados já divulgados mostram que, até agora, os juros caíram mais por causa da política dos bancos públicos de cortarem suas margens do que pela ação do BC.

Outro efeito direto para o consumidor é a rentabilidade menor da nova poupança. Com o juro básico em 8% ao ano, os depósitos feitos a partir de 4 de maio deste ano rendem 0,4551% ao mês, mais a variação da TR. Os depósitos anteriores a essa data rendem 0,5% mais taxa referencial.

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