BC deve manter juro em 8,75%, aposta mercado

Todas as 70 instituições ouvidas em enquete avaliam que Banco Central fará ?parada técnica? depois de cinco cortes consecutivos da taxa Selic

Flavio Leonel e Francisco Carlos de Assis, O Estadao de S.Paulo

29 de agosto de 2009 | 00h00

Após cinco cortes consecutivos da taxa básica de juros do País, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central deverá optar, pela primeira vez em 2009, pela interrupção deste movimento na reunião da próxima semana, conforme apurado no mercado. Levantamento realizado pelo AE Projeções com 70 instituições mostrou que todas aguardam a manutenção da Selic em 8,75% ao ano, na reunião de terça e quarta-feira.Na avaliação de economistas do mercado, de maneira totalmente diferente do que vinha acontecendo desde que o BC tentou minimizar os efeitos da crise financeira global na economia nacional, a reunião do Copom deste mês tem tudo para ser uma das mais sem atrativos dos últimos tempos. Tudo porque o sentimento predominante é de uma necessidade da adoção de uma parada técnica para que seja observado minuciosamente como o corte acumulado de 5 pontos porcentuais na Selic desde janeiro será incorporado por uma economia que já está em retomada.Para o mercado, o BC já deu claras sinalizações de que a taxa de juros ficará inalterada. Segundo eles, a ata da reunião de julho do Copom eliminou as dúvidas que existiam entre os que ainda esperavam manutenção, mas não descartavam mais cortes na taxa básica de juros nos próximos encontros do colegiado em 2009.Com o consenso estabelecido entre os economistas para setembro, a dúvida do mercado já é saber quando o BC voltará a mexer nos juros. Para alguns, há um cenário propício para deixar a Selic inalterada até o final de 2010, ano que trará a eleição presidencial como tempero adicional às discussões. Para outras instituições, entretanto, a retomada fará com que o BC aumente os juros já no próximo ano, com o intuito de não trazer riscos para o cumprimento da meta de inflação de 2010 e de 2011. O economista-chefe do Pátria Investimentos, Luís Fernando Lopes, acredita que ao manter a Selic em 8,75% ao ano, o colegiado do BC atenderá as vozes que, no Copom passado, já pediam pela interrupção do ciclo de afrouxamento monetário iniciado em janeiro. Segundo ele, o centro da discussão na reunião de julho que culminou com a redução de 0,50 ponto da taxa de juros foram a demanda doméstica e a inflação para baixo. Ocorre que agora, com o cenário mais claro, o que se observa é que os indicadores não seguem numa única direção, o que justifica uma parada para avaliar melhor o quadro. Economista-chefe do Banco Santander, o ex-BC Alexandre Schwartsman explica a razão de também trabalhar com a expectativa de manutenção da Selic. "A sinalização foi bastante explícita e, se houve progresso na área das expectativas, há também sinais de uma recuperação mais forte. Não quer dizer que não se possa retomar o processo à frente, se houver sinais de inflação ainda mais baixa. Não é o nosso cenário, diga-se, mas é uma possibilidade. Mas estes sinais precisam aparecer", explicou Schwartsman. O diretor de Economia e Riscos de Mercado do Banco Cooperativo Sicredi, Paulo Barcellos, trabalha com a expectativa de permanência da Selic no nível de 8,75% ao ano na reunião de setembro do Copom. Para ele, a diretoria do Banco Central confirmará o sentimento dominante no mercado não apenas por causa do atual nível da taxa real juros como também em virtude do cenário atual macroeconômico mais favorável: "A flexibilização que já foi feita, de fato, coloca a taxa real de juros abaixo de um nível neutro." Na Link Investimentos, a economista Marianna Costa espera que o BC deixe a Selic em 8,75% em setembro e até o início de 2011, já que a situação atual dos juros exige cautela. "Olhando para a política monetária, é preciso um tempo para entender os efeitos ainda desconhecidos deste corte recente de 5 pontos porcentuais na Selic sobre uma economia já em reação'', avaliou.

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