BC dificilmente cumprirá meta de inflação, afirma Dieese

O Banco Central (BC) dificilmente conseguirá atingir a meta de inflação em 2002, de 3,5% pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) com margem de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo. A previsão foi feita pela coordenadora do ICV/Dieese, Cornélia Nogueira Porto, que se baseia no desempenho da inflação no município de São Paulo, onde, nos dois primeiros meses deste ano, já acumula alta de 1,19%, pouco menos da metade da meta do governo. "Apesar de falarmos de índices diferentes (ICV e IPCA), a análise é válida porque a inflação em São Paulo tem uma participação significativa na composição do IPCA", defendeu, acrescentando ainda que boa parte dos produtos consumidos no Brasil, são produzidos no Estado de São Paulo. Apesar de a coordenadora acreditar que a meta não será atingida, ela ressaltou que não há motivos para preocupações, uma vez que este acréscimo não terá impacto significativo na economia real. Cornélia lembrou também que os preços administrados (tarifas públicas) não deverão ser reajustados nos mesmos patamares do ano passado porque o dólar está sob controle, pressionando menos o IGP-M, índice utilizado pelo governo federal para a concessão de reajustes. A todos esses fatores, a coordenadora somou ainda a expectativa de queda de preços de alguns produtos livres da intervenção do governo e que contam com livre concorrência no mercado, com destaque para o setor de alimentos, que deverá ter sua oferta regularizada com a diminuição das chuvas e pela perspectiva de uma grande safra agrícola este ano.

Agencia Estado,

05 de março de 2002 | 13h02

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