BC diminui projeção para inflação em 2014, mas vê taxa ainda elevada no próximo ano

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BC diminui projeção para inflação em 2014, mas vê taxa ainda elevada no próximo ano

Em ata do Copom, Banco Central sinaliza que a taxa de juros Selic deverá sofrer novas elevações, mas altas serão aplicadas com 'parcimônia'

Victor Martins, Célia Froufe, Adriana Fernandes, O Estado de S. Paulo

11 de dezembro de 2014 | 08h44

O Banco Central diminuiu a projeção para a inflação em 2014, mas ainda vê uma taxa elevada em 2015. Segundo o BC, a convergência da inflação para a meta tende a ocorrer em 2016. As projeções foram divulgadas na ata do Copom, uma semana após o Comitê de Política Monetária (Copom) ter elevado a Selic em 0,5 ponto porcentual, para 11,75%.

O BC também sinalizou que novas elevações do juro básico Selic deverão ocorrer em 2015, mas altas serão moderadas visto que o órgão agirá com "parcimônia", considerando os efeitos cumulativos e defasados da política monetária.

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Em momentos como o atual, a política monetária deve se manter especialmente vigilante - ata do Copom
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A despeito dessas perspectivas, os valores continuam acima do centro da meta (4,5%) definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) em todos os cenários - o de referência usado pelo Banco Central e o de mercado.

No Relatório Trimestral de Inflação (RTI), divulgado no fim de setembro, o BC informou que a expectativa de inflação ao final de 2014, pelo cenário de referência, era de 6,3%, embora considerasse os juros em 11% ao ano. No cenário de mercado, a projeção do RTI para o final de 2014 era também de 6,3%.

O Copom revelou ainda que suas projeções para a inflação mostraram algum alívio apenas no início de 2016. Para os três primeiros trimestres, apesar de indicarem que a inflação entra em trajetória de convergência, tanto no cenário de referência quanto no de mercado, as projeções também apontam inflação acima da meta de 4,5% fixada pelo CMN. 

A inflação no Brasil tende a se manter elevada em 2015. Mas ainda no próximo ano entrará em “longo período de declínio”, segundo o BC. Na ata do Copom, o BC não descarta um cenário de alta da inflação no curto prazo. 

Alta do juro. Nesse cenário, o BC avalia que o esforço adicional de política monetária tende a ser implementado com parcimônia, considerando os efeitos cumulativos e defasados da política monetária. Mas avisa que é preciso se manter “especialmente vigilante”. “Em momentos como o atual, a política monetária deve se manter especialmente vigilante, de modo a minimizar riscos de que níveis elevados de inflação, como o observado nos últimos doze meses, persistam no horizonte relevante para a política monetária”, diz o BC. 

Energia e telefonia. Depois de seis ajustes consecutivos nas tarifas de energia elétrica, o Banco Central manteve estável a projeção para as tarifas de energia elétrica em 2014. Em fevereiro, a autoridade monetária esperava uma alta bem menor, de 7,5%. Do início do ano até outubro, uma série de reajustes foi incorporada ao cenário do BC e, todo o desconto que havia sido dado aos consumidores em 2013 não apenas foi anulado como ultrapassado.

No caso do botijão de gás houve aumento, passando de 2,8% de alta até setembro para 3,8% de aumento até outubro. Por outro lado, o BC prevê alívio para os preços de segmentos importantes, como o da telefonia fixa. A autoridade monetária considera que ocorrerá redução de 6,4% nas tarifas desse serviço - mesmo valor da ata anterior. Para a gasolina, o BC considerou uma alta de 0,3% até outubro ante constatação de elevação de 0,1% verificada até setembro.

O BC manteve inalterada, em 5,3%, a projeção de reajuste dos preços administrados para 2014. Para 2015, a instituição manteve a projeção em 6%. Para 2016, no entanto, subiu de 4,9% para 5,2%. 

Cenário externo. O Banco Central inseriu avaliações sobre a política monetária do Japão. No parágrafo em que faz um panorama da economia global, o país asiático não era sido citado no documento anterior, apenas Europa e Estados Unidos. Agora, o BC destaca que o Banco do Japão expandiu seu programa de estímulo monetário e sinalizou a possibilidade de novas extensões.

Quando fala de Europa, o BC repete o que tem dito há algum tempo, que em que pesem avanços recentes, o continente tem altas taxas de desemprego, aliadas à consolidação fiscal e a incertezas políticas, constituem elementos de contenção de investimentos e do crescimento. O Copom ainda lembra que nos Estados Unidos está em curso a retirada gradual dos estímulos monetários dados ao longo dos últimos anos.

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