BC diz que crédito pode crescer acima dos 15% previstos

O chefe do departamento econômico do Banco Central, Tulio Maciel, disse nesta quinta-feira que a trajetória de crescimento do crédito até julho é consistente com a projeção da instituição de expansão de 15% para 2012. Afirmou, no entanto, que é possível que o crescimento verificado no ano fique um pouco acima disso. "Pode ser um pouquinho mais alto do que isso", afirmou.

CÉLIA FROUFE E EDUARDO CUCOLO, Agencia Estado

30 de agosto de 2012 | 12h01

Ele disse ainda que há uma moderação da expansão do crédito, em linha com o que o BC esperava, em ambiente de redução de juros e dos spreads. "Naturalmente, esse ritmo de redução das taxas é um pouco menor agora. Pois a queda foi muito expressiva nos últimos meses", afirmou. "Os juros encontraram um novo piso. Tanto no crédito total como na pessoa física."

Maciel disse, entretanto, que o movimento de redução de juros não acabou, apenas perdeu força, pois já houve cinco meses seguidos de queda significativa. "O ritmo se acomodou." Ele lembrou que as taxas de juros médias, geral e para pessoa física, estão nos menores níveis da série e já caíram, respectivamente, 7,4 pontos porcentuais e 9,2 pontos porcentuais desde fevereiro.

Quanto à inadimplência do crédito, ele salientou que ela atingiu um patamar mais alto em janeiro e vem oscilando ao redor desse nível desde então. Segundo dados do BC, a taxa bateu 5,7% em janeiro e chegou a 5,9% em julho, porcentual que já foi visto em meses anteriores. "A inadimplência está estável em um patamar alto", disse. "Mas é acomodação com perspectiva de recuo à frente. Até o fim do ano, isso deve se reverter", projetou o chefe de departamento.

Ao abrir os dados do calote da pessoa física, Maciel destacou que o fator que mais tem significado em julho é o aumento de 0,1 ponto porcentual da inadimplência do crédito pessoal, que subiu para 5,8% no mês passado. Mesmo assim, ele destacou que essa taxa já chegou a quase dois dígitos. Em maio de 2002, foi verificado o maior porcentual, de 9,2%. "Agora o patamar é elevado, mas nada de extraordinário", comparou. Vale enfatizar, porém, que esse indicador está em trajetória de alta contínua mês a mês desde março, quando estava em 5,3%.

O chefe do BC destacou ainda o comportamento da inadimplência do setor de veículos, que ficou estagnada em 6% de junho para julho. Já as parcelas em atraso - vencidas de 15 a 90 dias - estão recuando desde março, conforme o BC.

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