BC diz que há espaço para gastos sociais

As contas do governo central (Governo federal, Banco Central e INSS), medidas pelo Banco Central, tiveram um superávit primário de R$ 3,361 bilhões em maio. Enquanto as contas do governo federal tiveram um superávit de R$ 5,166 bilhões, o Banco Central teve um déficit primário de R$ 26 milhões e o INSS de R$ 1,779 bilhão. No mesmo mês do ano passado, as contas do governo central registraram um superávit primário de R$ 4,012 bilhões.O chefe do Departamento Econômico (Depec) do BC, Altamir Lopes, afirmou que a folga de R$ 2,48 bilhões na meta de superávit das contas públicas abre espaço para o aumento dos gastos sociais. Pelos dados divulga dos hoje, o superávit acumulado até maio das contas públicas, de R$ 36,98 bilhões, já supera a meta de R$ 34,5 bilhões acertada com o FMI para o mês de junho. Ele destacou que não é intenção do governo fazer um superávit maior do que o fixado para o ano de 4,25% do PIB. "Não tem como cumprir à risca a meta. Alguma margem pode acontecer. Mas não se espera uma margem significativa e isso abre espaço para mais gastos sociais", afirmou. Segundo ele, a folga no superávit dá uma sinalização da responsabilidade fiscal do setor público.Dólar pressiona dívida líquidaA dívida líquida do setor público aumentou, em maio, na comparação com abril, de 52,1% do PIB para 53,6% do PIB, segundo informou o Banco Central. A dívida líquida, em valores absolutos, subiu, no mesmo período, de R$ 839,756 bilhões para R$ 858,369 bilhões. Em dezembro do ano passado, a dívida líquida estava em R$ 881,108 bilhões, que correspondiam a 54,9% do PIB. Explicações e perspectivasAltamir Lopes explicou que a elevação da dívida líquida, de 52,1% em abril, para 53,6% em maio, refletiu basicamente o impacto da desvalorização do real de 2,62% em maio no estoque da dívida. Aproximadamente metade do endividamento público é sensível à variação da taxa de câmbio, ressaltou o chefe do Depec. O aumento do dólar frente ao real teve um impacto direto de R$ 7,4 bilhões no estoque da dívida pública.Ele previu há pouco que a dívida líquida do setor público deve fechar o mês de junho estável, em um valor semelhante ao registrado em maio, de 53,6% do PIB. Esses cálculos foram feitos com base numa taxa de câmbio de R$ 2,90. "A dívida tem se mostrado constante", afirmou ele.

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