Banco Central
Expectativa do mercado é que o Pix seja o grande substituto das tradicionais DOCs e TEDs. Banco Central

BC diz que registrou mais de 1 milhão de transações do Pix no primeiro dia

Operações financeiras somaram R$ 777,324 milhões, com valor médio de R$ 773,43; tecnologia já está disponível para 734 bancos, corretoras e instituições financeiras

Lorenna Rodrigues, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2020 | 19h49

BRASÍLIA  - No primeiro dia do Pix, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o Banco Central registrou mais de 1 milhão de transações que somaram R$ 777,324 milhões. De acordo com balanço parcial divulgado no fim desta segunda-feira, 16, o valor médio das transações liquidadas foi de R$ 773,43.

Para a autoridade monetária, apesar de o novo sistema ter apresentado problemas no primeiro dia de funcionamento,  foram incidentes “pontuais e esperados”.  

“A avaliação do Banco Central é que o primeiro dia de operação ampla do Pix transcorreu de forma absolutamente normal, com incidentes pontuais esperados para o primeiro dia de operações amplas, e com números expressivos, comprovando a efetividade do novo meio de pagamento e o enorme interesse dos usuários”, afirmou a autoridade monetária. 

A tecnologia desenvolvida pelo Banco Central já está disponível para clientes de 734 bancos, corretoras e instituições financeiras que operam no País.

A expectativa do mercado é que o sistema seja o grande substituto de DOCs e TEDs, por ser um sistema gratuito e estar disponível a qualquer hora, sete dias por semana. Mas também servirá para efetuar compras on e offline. Por ser instantâneo, as trocas devem ocorrer em até 10 segundos.

O principal objetivo do sistema é aumentar a digitalização das transações financeiras no Brasil. Segundo o BC, a adesão também ajudará a aumentar a competição no mercado financeiro e reduzir o uso de papel moeda.

Incidentes naturais

Segundo a nota, os sistemas operados pelo BC apresentaram “disponibilidade total e pleno funcionamento ao longo de todo o dia” e incidentes foram identificados com as instituições financeiras e de pagamento principalmente nas primeiras horas de operação do PIX.

“[Os incidentes] foram acompanhados de perto pelo Banco Central, tendo sido solucionados rapidamente, não comprometendo a avaliação geral bastante positiva do primeiro dia de funcionamento amplo do Pix”, completou.

O BC informou que houve situações pontuais em que em que o efetivo crédito na conta do cliente foi feito em tempo superior ao exigido nos requisitos de nível de serviço, mas que foram incidentes considerados naturais pela equipe técnica do Banco Central, dada “a complexidade dessa inovação tecnológica”. 

“Para uma melhor experiência de pagamento, o Banco Central reforça o uso das Chaves Pix, que além de tornar mais simples a operação, garante que as informações da conta estejam correta”.

Até agora, mais de 73,1 milhões de chaves Pix foram cadastradas. A chave de usuário é um identificador de contas: o cliente pode cadastrar um número de celular, e-mail, CPF, CNPJ ou um EVP (uma sequência de 32 dígitos a ser solicitado no banco). Por meio dela, é possível receber pagamentos e transferências. A chave é um “facilitador” para identificar o recebedor, mas não é indispensável para receber um Pix.

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Pix: primeiro dia de uso é marcado por dúvidas dos usuários

Consumidores se mostram dispostos a usar o novo sistema de pagamentos lançado pelo BC, mas desconhecimento limitou utilização nesta segunda-feira

Felipe Siqueira , O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2020 | 19h24

No primeiro dia de funcionamento do Pix, sistema de pagamentos lançado pelo Banco Central, os consumidores até demonstraram uma boa expectativa com a novidade. Mas o tom ainda era muito mais de cautela. "No futuro, se esse tipo de transação se concretizar, sim, eu pretendo usar, mas hoje, que é uma coisa nova, fico com um pouco de receio", disse a gerente de projetos Carolina Picciareli, de 24 anos, na Avenida Paulista

De acordo com os dados do Banco Central, ontem eram mais de 71 milhões de chaves cadastradas no Pix. Também segundo a instituição, são mais de 30 milhões de pessoas físicas, mas apenas pouco mais de 1,7 milhão de pessoas jurídicas - lembrando que cada CPF/CNPJ pode ter mais de um cadastro. 

Um dos estabelecimentos de São Paulo que já aceitaram o Pix logo no primeiro dia de funcionamento oficial é uma padaria tradicional no bairro de Higienópolis. Um dos sócios, Vicente Safon, de 39 anos, afirma que colocou o Pix em operação por acreditar que o modelo pode ser um grande facilitador nos negócios. Ele explica que, com o pagamento instantâneo, que promete ser liquidado em até dez segundos, dois grandes gargalos podem ser resolvidos em seu estabelecimento. 

O primeiro é em relação às taxas e à rapidez do pagamento. "É uma opção muito boa para o lojista, porque você está trocando o dinheiro e o débito, tendo essa opção com menor custo", disse. O segundo pode parecer mais simples, mas é uma grande dor de cabeça no comércio: troco. Com mais transações digitais, diminui-se a necessidade pelo "troquinho". "Cheguei a contratar uma empresa terceira para ter moedas. Claro que este serviço deixava as moedas mais caras." 

Mas, no primeiro dia, a utilização do sistema foi bem pequena. Segundo Safon, até houve pagamentos por meio de transferência do Pix para o estabelecimento, mas foi por encomendas, por pessoas que estavam longe do local. "Dentro da loja ninguém usou ainda. Não teve procura."

Boa parte desse uso pequeno se deu pelo desconhecimento. "Eu já fiz o cadastro e foi bastante simples. Pelo aplicativo funcionou bem. Eu pretendo usar, confio nas instituições, mas ainda não sei, por exemplo, usar em estabelecimentos. Mas, se alguém me ensinar, eu uso", disse a radialista Isabella Pulfer, de 34 anos, que estava consumindo na padaria. 

Para Gabriel Nunes, de 25 anos, que possui um salão de cabeleireiro na Rua Augusta, o Pix pode se tornar uma ferramenta muito importante, já que boa parte de seus clientes não anda com dinheiro ou até mesmo carteira. Geralmente, os pagamentos são via modo digital. O Pix, diz, permitirá que isso seja feito com mais rapidez, menores taxas e de uma forma mais segura. 

"Eu decidi colocar o Pix por ser algo novo. Eu acredito que a gente está em constante evolução. Além disso, pagamento em dinheiro aqui é muito raro. Essa forma nova é mais fácil, ainda mais na pandemia. As pessoas não gostam de colocar cartão na maquininha, acaba sendo exposição ao vírus. É também mais segurança e rapidez, sem taxa, instantâneo", disse.

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Presidente do BC diz que operações do Pix não foram completadas, mas descarta instabilidade

Novo sistema de pagamentos instantâneos passa a funcionar nesta segunda-feira, após quase duas semanas de operação restrita

Eduardo Rodrigues e Fabrício de Castro, O Estado de S.Paulo

16 de novembro de 2020 | 14h05

BRASÍLIA - O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, admitiu nesta segunda-feira, 16, que algumas operações do Pix não foram completadas no primeiro dia de funcionamento efetivo da nova plataforma de pagamentos instantâneos, mas descartou qualquer instabilidade no sistema da autoridade monetária.

"É importante diferenciar o que é instabilidade do sistema e o que são operações que não foram completadas. Não houve nenhuma instabilidade no sistema. Houve um volume de operações que não foram completadas em um banco ou outro, e monitoramos isso, pode ter havido um erro na formatação da chave pelo banco. Quando há um volume grande de operações rejeitadas, entramos em contato com os bancos", afirmou.

Após 12 dias de operação restrita, na qual apenas alguns clientes selecionados pelas instituições financeiras puderam testar o sistema, o Pix já está disponível para todo mundo.

O chefe do Departamento de Competição e de Estrutura do Mercado Financeiro do BC, Angelo Duarte, disse que instituições maiores podem ter apresentado alguns problemas, que já foram corrigidos. "No momento vemos uma operação normal no Pix. Houve alguns problemas que já passaram, e todos estão operando dentro da estabilidade", completou.

O diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução do BC, João Manoel de Pinho de Mello, explicou ainda que parte dos erros em operações não completadas ocorreu em tentativas de Pix para conta salário. "Não é possível cadastrar uma chave para conta salário", explicou.

Para Campos Neto, as quase 72 milhões de chaves já cadastradas em algumas semanas no Pix significa uma adesão maior do que qualquer aplicativo digital já teve no País

"Achamos que adesão está bastante ampla, tanto de pessoas físicas como de jurídicas. Obviamente, quando o Pix  começa a funcionar, a necessidade de fazer parte do sistema aumenta. Então ainda haverá um processo de cadastramento que vai crescer ao longo do tempo", afirmou.

O sistema de pagamentos deve substituir outros meios de pagamento e transferência, como TED, DOC, cartão de débito e até mesmo o dinheiro vivo. As transações serão feitas principalmente pelo celular, com uso de QR Code.

Novas operações no 1º semestre de 2021

Entre as novas operações que vão entrar em vigor até junho do ano que vem, disse ele, estão o saque de recursos via Pix e, também, a possibilidade de fazer um Pix "garantido", como se fosse uma compra parcelada - atualmente disponível nas operações com cartões de crédito.

No caso do saques de recursos, possibilidade que já tinha sido anunciada anteriormente, o diretor explicou que o comerciante poderá ofertar o serviço como forma de dar troco aos clientes, e assim atrair mais consumidores. Ele explicou, porém, que terá de ficar claro o valor da compra, e do saque, para efeitos da cobrança de tributos.

Funciona assim: o consumidor vai na loja, faz uma compra de R$ 100, por exemplo. Está sem dinheiro e pega R$ 100. Assim, o que é debitado da conta dele são R$ 200 (R$ 100 para a compra e R$ 100 sacado em dinheiro).

Para o presidente do BC, o "cash back" vai facilitar a vida dos usuários e diminuir os custos de saques em espécie. "Teremos desenvolvimentos futuros do Pix que não sabemos hoje", disse Campos Neto.

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