BC diz que só autorizou operação em novembro

Em nota, autoridade afirma que negócio só foi aprovado depois de intervenção

DAVID FRIEDLANDER, FAUSTO MACEDO, LEANDRO MODÉ, O Estado de S.Paulo

23 de novembro de 2011 | 03h06

O Banco Central (BC) afirma que só aprovou a venda de parte do Panamericano para a Caixa Econômica Federal em novembro de 2010 - e não em julho, quando um aviso poderia ter dado outro desfecho para a operação. O negócio precisava do aval do BC para ser consumado, com o pagamento da última parcela.

Em novembro, as investigações do BC estavam concluídas e uma solução para a sobrevivência do banco, acertada. Silvio Santos, então controlador do Panamericano, tomara um empréstimo de R$ 2,5 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para cobrir o rombo.

Em nota enviada pela assessoria de imprensa, o BC frisa que "detectou as inconsistências patrimoniais no Banco Panamericano, determinou a adoção de medidas saneadoras e comunicou os fatos aos órgãos competentes, entre os quais o Ministério Público Federal e a Polícia Federal".

No entanto, um fato relevante enviado pelo Panamericano à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em 19 de julho daquele ano comunicava "seus acionistas e aos investidores em geral que a operação de aquisição pela Caixa Participações S.A. - CAIXAPAR - foi aprovada, nesta data, pelo Banco Central do Brasil".

O Panamericano informava ainda que a operação seria "consumada nos próximos dias, de acordo com os termos do contrato de compra e venda de ações". Uma semana depois, em 26 de julho, a Caixa efetuou o segundo e último pagamento pelo negócio, no valor de R$ 232 milhões.

A informação de que a aprovação do BC ocorreu em julho de 2010 também foi apresentada à Polícia Federal no dia 16 de setembro deste ano pelo vice-presidente de Finanças da Caixa, Márcio Percival.

No depoimento à PF, Percival explicou que "a segunda parcela foi paga por cheque à Silvio Santos Participações Ltda., após aprovação da venda pelo Banco Central, em julho de 2010". Ainda segundo ele, "a aprovação foi publicada no Diário Oficial só em novembro de 2010".

Procurada pela reportagem, a Caixa informou, por meio da assessoria de imprensa, que "recebeu a informação da existência de problemas na contabilidade do Panamericano somente em setembro de 2010".

O Estado apurou que o BC demorou para publicar a aprovação do negócio no Diário Oficial da União porque as investigações confirmaram as fraudes, cujos primeiros indícios surgiram em maio. Só depois desse aval do BC a Caixa pôde indicar seus executivos para a diretoria do Panamericano.

Socorro. Em 9 de novembro de 2010, o Panamericano anunciou ao mercado o afastamento dos antigos diretores e a nomeação de novos executivos. Na ocasião, informou também que Silvio Santos tomara um empréstimo de R$ 2,5 bilhões no FGC para cobrir o rombo e evitar a falência.

Não foi suficiente. Em janeiro, a nova diretoria descobriu que o buraco era maior e chegava a R$ 4,3 bilhões. O FGC aceitou socorrer o Panamericano novamente. Em troca, Silvio foi forçado a vender sua participação para o BTG Pactual, por R$ 450 milhões.

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