BC do Japão afrouxa política em meio à desaceleração global

O Banco do Japão, banco central do país, afrouxou nesta quinta-feira sua política monetária ao aumentar seu programa de compra de ativos, ao passo que as perspectivas de recuperação de curto prazo da terceira maior economia do mundo pioraram devido ao enfraquecimento das exportações e à prolongada desaceleração do crescimento chinês.

LEIKA KIHARA, Reuters

19 de setembro de 2012 | 09h51

A decisão veio na sequência de um grande "quantitative easing" (programa de compra de títulos) do Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, na semana passada, e em meio a temores de que uma disputa territorial com a China, o maior parceiro comercial do Japão, irá prejudicar ainda mais as exportações.

Mas o presidente do BC japonês, Masaaki Shirakawa, destacou que a ação foi incentivada por recentes dados decepcionantes e não pela ação do Fed, enquanto protestos anti-Japão na China tiveram participação na decisão de afrouxar a política.

"As economias internacionais estão desacelerando mais do que prevíamos, e é por isso que diminuimos a perspectiva econômica do Japão", afirmou Shirakawa em entrevista após a decisão. "A recuperação econômica do Japão pode ser atrasada em aproximadamente um semestre."

O BC japonês aumentou seu programa compra de ativos e de empréstimos, atualmente sua principal ferramenta de afrouxamento monetário, em 10 trilhões de ienes (127 bilhões de dólares) --o dobro da quantia habitual-- para 80 trilhões de ienes, com o aumento destinado para compras de títulos governamentais e títulos do Tesouro com desconto.

O estímulo total é agora equivalente a quase um quinto da economia japonesa.

Em comunicado anunciando a decisão, o BC japonês cortou sua avaliação da economia, dizendo que a atividade estava parando e projetou que o crescimento ficará estável por enquanto. O BC também projetou recuperação econômica moderada à frente.

"Os indicadores econômicos do Japão têm se mostrado fracos, portanto a ação do BC faz sentido por essa perspectiva", afirmou o economista sênior do Sumitomo Mitsui Asset Management em Tóquio Hiroaki Muto.

"Shirakawa tem enviado mensagens de que o BC nem sempre faz o que o mercado espera, mas eu acho que o BC ficou um pouco surpreso com o lançamento do QE3 do Fed", disse ele.

Uma sequência recente de dados fracos, incluindo uma queda nas exportações e na produção industrial, deixou as autoridades do BC japonês menos convencidas de que a demanda global irá recuperar-se em breve para ajudar na recuperação da economia dependente de exportações.

A promessa do Fed na semana passada de comprar ativos de forma ilimitada para impulsionar o crescimento de empregos, chamado de QE3 por Wall Street, também colocou pressão sobre o banco central japonês para usar suas próprias ferramentas para apoiar uma economia que sente os danos de um iene valorizado e as consequências da crise da dívida europeia.

DINHEIRO À FORÇA

O ministro das Finanças do Japão, Jun Azumi, elogiou a ação desta quarta-feira, dizendo que foi mais audaciosa que o esperado e que terá um impacto positivo na economia japonesa ao estabilizar movimentos cambiais.

O BC japonês ampliou sua meta de compras de títulos governamentais e bônus do Tesouro com desconto em 5 trilhões de ienes cada, e ampliou o prazo para atingir a nova meta geral em seis meses, para dezembro de 2013.

A autoridade monetária também eliminou uma regra que limitava compra de títulos do governo àqueles com yield de 0,1 por cento ou maiores, uma ação cujo objetivo é aliviar a oferta de financiamento, ao passo que enfrentam-se problemas para injetar dinheiro à força em mercados que já estão com excesso de liquidez.

Como esperado, o BC do Japão manteve sua principal taxa de juros entre zero e 0,1 por cento.

O BC determinou uma meta de inflação de 1 por cento e afrouxou a política em fevereiro, decidindo em seguida por outro afrouxamento em abril. Desde então permaneceu sem agir, julgando que a economia do Japão iria em breve retomar a recuperação com o suporte dos gastos para reconstrução após o terremoto do ano passado.

(Reportagem adicional de Stanley White, Tetsushi Kajimoto e Kaori Kaneko)

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