REUTERS/Joshua Roberts
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BC dos EUA eleva taxa de juros pela 2ª vez em três meses

Sinais de que a economia americana está se fortalecendo motivaram o Fed a subir o juro para a faixa de 0,75% a 1%

Reuters

15 de março de 2017 | 15h08

O Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos) elevou a taxa de juros dos Estados Unidos pela segunda vez em três meses nesta quarta-feira, movimento impulsionado pelo crescimento econômico estável, ganhos de emprego fortes e confiança de que a inflação está subindo para o alvo do banco central norte-americano.

A decisão de elevar a meta de juros em 0,25 ponto porcentual, para a faixa entre 0,75% e 1%, marca uma das decisões mais convincentes do Fed até agora no esforço de retornar a política monetária para uma posição mais normal.

O Fed também havia elevado os juros em 0,25 ponto em dezembro.

Entretanto, o comitê de política monetária do Fed não indicou qualquer plano de acelerar o ritmo do aperto monetário. Embora a inflação esteja "perto" da meta de 2% do Fed, o banco central destacou que a meta é "simétrica", indicando uma possível disposição para permitir que os preços subam a um ritmo ligeiramente mais rápido.

Mais aumentos dos juros seriam apenas "graduais", disse o Fed no comunicado, com as autoridades mantendo seu cenário de mais duas altas este ano e três mais em 2018. O Fed elevou os juros uma vez em 2016.

O investimento empresarial "parece ter se firmado um pouco", destacou o Fed em uma linguagem que reflete um senso mais forte do ímpeto da economia.

Novas previsões econômicas divulgadas com o comunicado mostraram pouca mudança em relação às de dezembro e deram poucas indicações de que o Fed tem uma visão clara de como as políticas da administração Trump podem impactar a economia em 2017 e depois.

"Com ajustes graduais na postura de política monetária, a atividade econômica vai se expandir a um ritmo moderado", disse o Fed, mantendo a linguagem que usou nos comunicados anteriores.

Os mercados acionários ampliaram os ganhos e os rendimentos dos Treasuries caíram diante do cenário econômico benigno e a trajetória estável contínua dos aumentos dos juros sinalizada pelo Fed.

"Alivia alguns dos temores que tínhamos de que talvez o Fed iria elevar os juros mais rápido no futuro. Eles escolheram não sinalizar isso", disse o chefe de investimentos do Commonwealth Financial Brad McMillan.

As projeções do Fed mostram expectativa de que a economia crescerá 2,1% em 2017, previsão inalterada sobre dezembro. A mediana para os juros no longo prazo, onde se julgaria que a política monetária tem efeito neutro sobre a economia, permaneceu em 3%.

A taxa de desemprego que as autoridades do Fed esperam até o fim do ano continuou em 4,5%, enquanto o núcleo da inflação foi estimado em 1,9% sobre 1,8% antes.

O aumento dos juros acontece em meio a uma melhora generalizada no cenário econômico mundial e uma noção entre as autoridades do banco central de que a economia dos EUA está perto das metas de emprego e inflação.

O presidente do Fed de Minneapolis, Neel Kashkari, foi o único dissidente na decisão desta quarta-feira, dizendo que preferia manter os juros.

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