Susan Walsh|AP
Susan Walsh|AP

BC dos EUA mantém juros, mas sinaliza duas altas neste ano

Dirigentes do Fed, porém, cortaram as projeções para o PIB dos EUA e sinalizaram que serão mais conservadores ao subir os juros

ALTAMIRO SILVA JUNIOR, O Estado de S.Paulo

15 Junho 2016 | 15h25

O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, manteve, por decisão unânime, os juros inalterados, na faixa de 0,25% a 0,50%. Ao mesmo tempo, os dirigentes da instituição reduziram suas projeções sobre a quantidade de elevações nos próximos anos, sinalizando que o crescimento persistentemente fraco e a inflação baixa estão forçando o banco central a repensar a velocidade de sua normalização monetária.

Até mesmo a estimativa para a taxa de juros deste ano foi menos segura do que a anterior. Das 17 projeções individuais dos membros do Fed, seis indicaram apenas uma alta este ano, ante a projeção de apenas um membro no levantamento anterior, há três meses. “Estamos bastante incertos sobre aonde as taxas vão no longo prazo”, disse a presidente do Fed, Janet Yellen. 

O Fed não descartou uma alta de juros em julho, mas o tom do comunicado e as projeções sugerem que os dirigentes da instituição vão esperar para ver melhoras na economia antes de agir. “O ritmo de melhora do mercado de trabalho desacelerou enquanto o crescimento da atividade econômica parece ter avançado”, diz o comunicado do Fed, que também ressaltou um fortalecimento do consumo, investimentos mais leves por parte das empresas e um declínio nos indicadores de expectativa de inflação. 

No mês passado, os dirigentes do Fed pareciam inclinados a elevar os juros em junho ou julho. Yellen, chegou a dizer no fim de maio que era provável que acontecesse uma alta “nos próximos meses”, caso a economia continuasse a se fortalecer.

No entanto, um relatório de empregos (payroll) decepcionante, aliado a preocupações com o resultado do plebiscito que decidirá uma possível saída do Reino Unido da União Europeia, fizeram os dirigentes repensarem quando deverá ser feito um aperto monetário.

O Fed elevou os juros apenas uma vez em uma década. Em dezembro, o banco central subiu os juros e sinalizou que quatro altas eram possíveis em 2016. 

Analistas. O resultado da reunião de ontem embaralhou as previsões de analistas e investidores em Wall Street. Algumas casas, como o Bank of America Merrill Lynch e a consultoria Capital Economics, acreditam que a maior chance é de uma alta em setembro. Há dúvidas, porém, sobre se o BC vai ser capaz de elevar as taxas duas vezes este ano, como sinalizado ontem pelos próprios dirigentes do Fed.

As chances de uma alta em julho parecem estar fora da mesa, principalmente se o Reino Unido deixar a União Europeia na votação prevista para o próximo dia 23. Entre os investidores, as apostas de aumento em julho caíram consideravelmente hoje, de 23% para 7,2%, de acordo com as apostas nos futuros da Bolsa de Chicago. Em setembro, a redução foi de 41% para 22,6% e em dezembro, de 59% para 36%. 

Para analistas, o Fed mostrou ontem que não tem pressa em elevar as taxas. O Bank of America Merrill Lynch vê espaço para apenas uma elevação este ano, que deve vir em setembro. O economista do banco, Michael Hanson, escreve em um relatório a clientes que a reunião mostrou um BC essencialmente “dovish’, ou seja, defendendo juros menores. A sinalização é que o Fed “gradualmente” está se tornando ainda “mais gradual” no processo de aperto monetário nos EUA, ressalta Hanson. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS 

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