BC dos EUA mantém política monetária e cita riscos à economia

Fed mantém os juros básicos norte-americanos em patamar próximo de zero e deixa aberta a possibilidade de mais estímulos no ano que vem

Reuters

13 de dezembro de 2011 | 17h50

O Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) manteve nesta terça-feira a atual política monetária do país, mas informou que a turbulência no mercado financeiro representa ameaças ao crescimento econômico, o que deixa aberta a possibilidade de mais estímulos no ano que vem. O Fed manteve os juros básicos norte-americanos entre zero e 0,25 %.

A autoridade monetária caracterizou a economia dos Estados Unidos como em expansão moderada, apesar de uma aparente desaceleração no crescimento global, mas informou que o desemprego permanece elevado e que o setor imobiliário segue em depressão.

"As tensões nos mercados financeiros globais continuam a representar riscos significativos de baixa ao cenário econômico", informou o banco central em comunicado.

Sem oferecer pistas sobre mudanças na política de comunicações do banco, o Fed repetiu que espera inflação em níveis consistentes com seu mandato de estabilidade de preços, ou até ou abaixo disso.

Pela segunda vez seguida, o presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, discordou da decisão, defendendo um estímulo adicional à economia.

O Fed tem mantido os juros básicos norte-americanos perto de zero desde dezembro de 2008 e já comprou US$ 2,3 trilhões em títulos do governo e do mercado de hipotecas em uma tentativa de estimular a recuperação da economia.

Os integrantes do Fed estão divididos entre os que acreditam que o alto desemprego e o fraco crescimento exigem mais atitudes, e entre os veem as ações do banco central como um convite perigoso à inflação.

Alguns integrantes influentes, como a vice-chairman Janet Yellen, já sugeriram que estariam inclinados a tomar medidas adicionais caso o crescimento não aumente.

Dados recentes mostram alguma melhora da economia norte-americana. A taxa de desemprego caiu 0,4 ponto porcentual em novembro, a 8,6%, a atividade industrial acelerou e as empresas estão recompondo estoques.

Os gastos dos consumidores também parecem razoavelmente sólidos, embora um indicador pior que o esperado tenha mostrado nesta terça-feira crescimento de apenas 0,2% das vendas no varejo do país em novembro.

Leia a íntegra do comunicado divulgado pelo Comitê de mercado Aberto do Federal Reserve norte-americano (Fomc) ao fim da reunião desta terça-feira:

"Informações recebidas desde que o Comitê Federal de Mercado Aberto se reuniu, em novembro, sugerem que a economia tem se expandido moderadamente, apesar de alguma desaceleração aparente no crescimento global. Embora indicadores apontem para alguma melhora nas condições gerais do mercado de mão de obra, a taxa de desemprego permanece elevada. Os gastos dos domicílios continuaram a avançar, mas os investimentos das empresas em ativos fixos parece estar crescendo menos rapidamente e o setor de moradias continua deprimido. A inflação se moderou desde mais cedo neste ano, e as expectativas quanto à inflação no longo prazo permaneceram estáveis.

"Consistente com seu mandato estatutário, o Comitê busca fomentar o máximo emprego e a estabilidade dos preços. O Comitê continua a esperar um ritmo moderado de crescimento econômico nos próximos trimestres e, consequentemente, antecipa que a taxa de desemprego vá declinar apenas gradualmente na direção de níveis que o Comitê julga serem consistentes com seu mandato duplo. Tensões nos mercados financeiros globais continuam a apresentar riscos negativos significativos à perspectiva econômica. O Comitê também antecipa que a inflação vai se acomodar, nos próximos trimestres, em níveis consistentes com o mandato duplo do Comitê ou abaixo deles. Contudo, o Comitê continuará a prestar atenção à inflação e às expectativas de inflação.

"Para apoiar uma recuperação econômica mais forte e ajudar a assegurar que a inflação, ao longo do tempo, esteja em níveis consistentes com o mandato duplo, o Comitê decidiu hoje continuar seu programa para estender a maturidade média de suas posições em títulos, como anunciado em setembro. O Comitê está mantendo suas políticas existentes de reinvestir os pagamentos do principal de suas posições em dívida das agências e títulos lastreados em hipotecas e de rolar títulos do Tesouro a vencer em leilões. O Comitê vai revisar regularmente o tamanho e a composição de suas posições em títulos e está preparado para ajustar aquelas posições conforme for apropriado.

"O Comitê também decidiu manter a meta da taxa dos Federal Funds em zero a 0,25% e atualmente prevê que as condições econômicas - inclusive as taxas baixas de utilização dos recursos e uma perspectiva fraca de inflação no médio prazo - provavelmente vão justificar níveis excepcionalmente baixos para a taxa dos Federal Funds até pelo menos meados de 2013.

"O Comitê vai continuar a avaliar a perspectiva econômica à luz das informações que chegarem e está preparado para empregar suas ferramentas para promover uma recuperação econômica mais forte, no contexto da estabilidade de preços.

"Votaram a favor da decisão de política monetária do Fomc: Ben S. Bernanke, chairman; William C. Dudley, vice-chairman; Elizabeth A. Duke; Richard W. Fisher; Narayana Kocherlakota; Charles I. Plosser; Sarah Bloom Raskin; Daniel K. Tarullo; e Janet L. Yellen. Votou contra: Charles L. Evans, que apoiava uma acomodação adicional da política nesta altura." A íntegra em inglês do comunicado

(Com infomações da Agência Estado)

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