Joshua Roberts/Reuters
Joshua Roberts/Reuters

BC dos EUA mantém taxa de juros, mas não descarta alta em março

Decisão foi unânime e em linha com a expectativa do mercado; autoridade monetária mostrou preocupação com a economia global

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de janeiro de 2016 | 17h13

O Banco Central dos Estados Unidos (Fed, na sigla em inglês) decidiu nesta quarta-feira, 27, manter a taxa de juros do país inalterada na faixa de 0,25% a 0,50%. A decisão foi unânime e em linha com as expectativas de mercado. A autoridade monetária havia elevado em dezembro os juros pela primeira vez em quase uma década.

O comunicado emitido pelo BC norte-americano após a reunião mostrou que a instituição está preocupada com as perspectivas econômicas globais, mas não descartou uma elevação dos juros no encontro de março.

Os dirigentes do Fed ainda acreditam que a economia norte-americana está no caminho do crescimento, criando empregos e gradualmente levando a inflação para a meta de 2,0%. Por outro lado, o comunicado não deixou claro se as perspectivas econômicas dos dirigentes foi abalada pelos acontecimentos recentes nos mercados globais.

Um desafio enfrentado pelos dirigentes na reunião desta semana foi como sinalizar o grau de preocupação deles com os declínios nos mercados de ações e nos preços do petróleo e com as incertezas relacionadas à China. Depois de temores com a segunda maior economia do mundo abalarem os mercados em meados do ano passado, os dirigentes do Fed disseram em setembro que os acontecimentos poderiam prejudicar a economia dos EUA e limitar a inflação.

No comunicado de hoje, porém, eles não repetiram essa linguagem. Em vez disso, os dirigentes disseram que estão observando os acontecimentos de perto, ecoando a linguagem usada no comunicado de outubro - a reunião anterior à de dezembro, quando os juros foram elevados. Isso efetivamente deixa as portas abertas para uma alta em março.

Veja a íntegra do comunicado do Fed:

"Informações recebidas desde que o Comitê Federal do Mercado Aberto se reuniu em dezembro sugerem que as condições do mercado de mão de obra melhoraram mais, ainda que o crescimento econômico tenha desacelerado no fim do ano passado. Os gastos dos domicílios e os investimentos das empresas em ativos fixos têm crescido a taxas moderadas nos meses recentes e o setor de moradias melhorou ainda mais; contudo, as exportações líquidas têm sido fracas e o investimento em estoques desacelerou. Uma variedade de indicadores recentes do mercado de mão de obra, incluindo os fortes ganhos de emprego, apontam para algum declínio adicional na capacidade ociosa dos recursos do trabalho, refletindo em parte os declínios dos preços da energia e dos preços das importações que não são de energia. Medições da inflação dos salários baseadas no mercado declinaram ainda mais; medições das expectativas de inflação para o prazo mais longo baseadas em pesquisas mudaram pouco nos meses recentes.

"Consistente com seu mandato estatutário, o Comitê busca fomentar o nível máximo de emprego e a estabilidade dos preços. O Comitê atualmente tem a expectativa de que, com ajustes graduais na posição da política monetária, a atividade econômica vai se expandir a um ritmo moderado e os indicadores do mercado de mão de obra continuarão a se fortalecer. A expectativa é de que a inflação permaneça baixa no curto prazo, em parte por causa de declínios adicionais nos preços da energia, mas suba para 2% no médio prazo, à medida que os efeitos transitórios dos declínios dos preços da energia e das importações se dissipem e que o mercado de mão de obra se fortaleça ainda mais. O Comitê está monitorando de perto os acontecimentos econômicos e financeiros globais e está avaliando suas implicações para o mercado de mão de obra e a inflação e para o equilíbrio dos riscos diante da perspectiva.

"Tendo em vista a perspectiva econômica, o Comitê decidiu manter a meta da taxa dos Federal Funds na faixa de 0,25% a 0,50%. A posição da política monetária continua acomodatícia, apoiando, portanto, melhoras adicionais nas condições do mercado de mão de obra e uma volta da inflação para 2%.

Ao determinar a ocasião e o tamanho de ajustes futuros na meta para a taxa dos Federal Funds, o Comitê vai avaliar as condições realizadas e esperadas em relação a seus objetivos de emprego máximo e inflação em 2%. Essa avaliação levará em conta uma variedade ampla de informações, incluindo medições das condições do mercado de mão de obra, indicadores de pressões inflacionárias e de expectativas quanto à inflação, e leituras sobre os acontecimentos financeiros e internacionais. À luz do fato de a inflação estar atual,mente abaixo de 2%, o Comitê vai monitorar cuidadosamente o progresso real e esperado na trajetória para sua meta de inflação. O Comitê tem a expectativa de que as condições econômicas vão evoluir de maneira a justificar elevações apenas graduais na taxa dos Federal Funds; a taxa dos Federal Funds provavelmente permanecerá, por algum tempo, abaixo dos níveis que se espera que prevaleçam no prazo mais longo. Contudo, a trajetória real da taxa dos Federal Funds dependerá da perspectiva econômica, tal como informada pelos indicadores que saírem.

"O Comitê está mantendo sua política existente de reinvestir os pagamentos do principal de suas posições em dívida de agências e em títulos de agências lastreados em hipotecas em títulos de agências lastreados em hipotecas, e de rolar em leilão os títulos do Tesouro que estiverem vencendo, e antecipa que fará isso até que a normalização da taxa dos Federal Funds esteja bem avançada. Essa política, ao manter as posições do Comitê em títulos de prazos mais longos em níveis  significativos, deverá ajudar a manter condições financeiras acomodatícias.

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