BC dos EUA sinaliza que pode reduzir estímulos ainda neste ano

Segundo Ben Bernanke, a redução do programa ainda não é uma decisão, mas foi discutida pela autoridade

O Estado de S.Paulo,

19 de junho de 2013 | 15h19

WASHINGTON - O Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano) decidiu nesta quarta-feira, 19, manter seu programa de compras de títulos de US$ 85 bilhões por mês. O presidente da autoridade, Ben Bernanke, contudo, sinalizou que pode reduzir o ritmo dos estímulos ainda neste ano. Segundo ele, a ideia ainda não é uma decisão, mas foi discutida na reunião. A taxa de juros da economia norte-americana foi mantida entre 0% e 0,25%.

"O Comitê vê que os riscos à perspectiva econômica e ao mercado de trabalho diminuíram desde o outono", informou o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) após sua reunião de dois dias. Segundo Bernanke, se os dados econômicos futuros forem consistentes com as projeções do Fed, "o comitê atualmente prevê que seria apropriado moderar o ritmo mensal das compras de ativos este ano". Caso os dados continuem a mostrar a reação, ele disse que o Fed vai continuar a reduzir as compras de bônus em passos contidos até o primeiro semestre do próximo ano, encerrando as compras por volta do meio do ano."

De acordo com o presidente do Fed, essa estratégia de saída dos estímulos não está escrita em nenhum lugar, mas é "consistente" com o consenso dentro do Fomc. Ele afirmou ainda que as reduções nas compras de bônus podem ser adiadas e, se for preciso, essas aquisições podem voltar a subir. O Fomc acredita que quando as compras de bônus chegarem ao fim, a taxa de desemprego vai estar perto de 7%, o que indica progresso em direção a uma "melhora substancial" no mercado trabalho.

Ele enfatizou que a política do Fed "não é de forma nenhuma predeterminada e vai depender dos indicadores futuros e da evolução das projeções, assim como do progresso cumulativo em direção às nossas metas."

Ruptura. Pela primeira vez desde setembro de 2011, houve uma ruptura entre os membros do Fed. A presidente do Fed de Kansas City, Esther George, mais uma vez discordou da expansão do apoio do banco central à economia, expressando preocupação diante da possibilidade de que o estímulo possa promover desequilíbrios financeiros e prejudicar sua meta de manter a inflação contida.

Em um desdobramento inesperado, o presidente do Fed de St. Louis, James Bullard, também discordou da decisão, porque ele acredita que o Fed deve sinalizar de forma mais forte sua disposição a defender a meta de 2% para inflação.

O Fed prevê que a taxa de desemprego dos Estados Unidos poderá ficar entre 6,5% e 6,8% em 2014. A previsão anterior, anunciada em março era de uma taxa de entre 6,7% e 7,0%. O Fed prevê uma taxa de desemprego de entre 7,2% e 7,3% em 2013 e de entre 5,8% e 6,2% em 2015.

Para 2014, os membros do Fed elevaram sua previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) para entre 3,0% e 3,5%, ante a estimativa anunciada em março que previa aumento de entre 2,9% e 3,4%. A projeção do crescimento do PIB em 2013 é de entre 2,3% e 2,6%.

Os membros do Fed fizeram uma grande alteração na previsão para a inflação em 2013. Agora o banco prevê uma taxa de entre 0,8% e 1,2%, ante a estimativa anterior de 1,3% e 1,7%. O Fed estima que a inflação ficará entre 1,4% e 2,0% em 2014 e entre 1,6% e 2,0% em 2015.

Os membros do Banco Central disseram que manterão as taxas de curto prazo próximas a zero até que a taxa de desemprego recue para menos de 6,5% e a inflação esperada fique abaixo de 2,5%.

(Com Agências Internacionais)

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