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BC dos EUA teme desaceleração 'severa' da economia

A decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) de reduzir as taxas de juro em 0,25 ponto porcentual para 4,5% ao ano, na reunião de 30 e 31 de outubro, foi "difícil", mas os participantes estavam suficientemente preocupados com a "possibilidade de uma desaceleração ''severa'' da economia", provocada pela crise do setor de moradia, de modo que decidiram agir. É o que diz a ata da reunião do comitê, divulgada hoje.O documento faz uma análise extensa das vulnerabilidades da economia norte-americana e sugere que, embora os dirigentes do Fed tenham adotado publicamente um "viés neutro" entre os riscos de inflação e de desaceleração econômica, eles viam o potencial de desaceleração como sendo sua maior preocupação. "Muitos membros notaram que esta decisão de política monetária foi difícil", diz a ata. A posição da política monetária do Fed ainda era considerada restritiva ao crescimento por ocasião da reunião, diz a ata, e "a maioria dos participantes via riscos substanciais à perspectiva da economia e julgaram que uma redução das taxas de juro nesta reunião daria um seguro substancial e valioso contra um enfraquecimento inesperadamente severo da atividade econômica".Sobre o voto contrário de Thomas Hoenig, presidente do Fed de Kansas City (que votou pela manutenção das taxas de juro inalterada), a ata diz que "o sr. Hoenig via tanto os riscos para o crescimento econômico como para a inflação como elevados e preferiria esperar, observar e estar pronto a agir, dependendo de como os acontecimentos se desenrolassem".Mercado financeiroA ata também diz que "os participantes em geral viam os mercados financeiros ainda frágeis e estavam preocupados com a possibilidade de um choque adverso, tal como uma deterioração aguda na qualidade de crédito ou a revelação de perdas anormalmente grandes e imprevistas, que poderiam prejudicar ainda mais a confiança do investidor e fazer crescer de forma significativa os riscos de desaceleração da economia". Por sua vez, uma debilidade econômica "inesperada" poderia causar um aperto ainda maior nas condições de crédito, o que "reforçaria" a desaceleração.InflaçãoO documento indica que os dirigentes do Fed mostravam maior confiança do que em reuniões anteriores em relação ao núcleo da inflação, afirmando que o índice deve continuar sob controle. Eles citaram "a recente série de indicadores encorajadores".DólarQuanto ao câmbio, os dirigentes também parecem ter mostrado maior preocupação com a debilidade do dólar do que nas reuniões anteriores, ao qualificar sua desvalorização "significativa" como um risco de inflação. Os participantes da reunião citaram "o declínio significativo no valor do dólar", aliado aos preços elevados da energia e aos custos da mão-de-obra, como fatores de risco inflacionário. Sua expectativa quanto aos gastos dos consumidores e os investimentos das empresas era de crescimento "moderado", mas eles observaram que havia riscos para esse cenário. As informações são da Dow Jones.

RENATO MARTINS, Agencia Estado

20 de novembro de 2007 | 18h16

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