BC e exterior devem seguir no foco do mercado de câmbio, dizem profissionais

O Banco Central deve repetir o script deste mês e continuar intervindo no mercado de câmbio em março, o que tende a favorecer uma estreita faixa de oscilação para o dólar, avaliaram profissionais do mercado nesta segunda-feira.

JOSÉ DE CASTRO, REUTERS

28 de fevereiro de 2011 | 16h52

Para eles, o que poderia mudar esse quadro seria o cenário externo, com investidores divididos entre preocupações em âmbito geopolítico, perspectivas de recuperação da economia norte-americana e possibilidade de manutenção do juro nos Estados Unidos.

"O que o BC consegue fazer com esses leilões é segurar um pouco o dólar nesse nível. Hoje (a autoridade monetária) decidiu entrar mais forte, já que o mercado abriu com viés de queda e chegou a cair ainda mais de manhã", afirmou Alfredo Barbutti, economista-chefe da BGC Liquidez.

No início do dia, a moeda norte-americana chegou a tocar 1,656 real, menor nível desde o início de janeiro. Mas o Banco Central atuou mais forte nesta sessão, comprando dólares via operações nos segmentos a termo, à vista e futuro --este último na forma de swap cambial reverso.

Por meio do swap, o BC vendeu 25.300 contratos em leilão nesta segunda-feira, de uma oferta inicial de 30.000 papéis, em operação com volume equivalente a 1,246 bilhão de dólares.

O swap cambial reverso é um derivativo oferecido pelo BC que funciona como uma compra futura de dólares pela autoridade monetária. Com a operação, o BC paga ao mercado um rendimento em juros e recebe em troca a variação cambial do período de duração do contrato.

O mecanismo se encaixa na estratégia do governo para frear a valorização do real e proteger os exportadores.

Jorge Knauer, diretor de tesouraria do Banco Prosper, no Rio de Janeiro, também aposta que o BC seguirá atuando no mercado de câmbio no próximo mês nas três frentes.

"Acho que o dólar vai continuar oscilando na faixa que temos visto ultimamente, entre 1,65 real e 1,70 real, porque o BC provavelmente vai manter a agressividade nas atuações usando os instrumentos de que dispõe", comentou.

"Ele (BC) não vai conseguir puxar a taxa, mas sim evitar que ela se mantenha abaixo de 1,65 real."

Nesta sessão, a moeda norte-americana fechou em leve queda de 0,06 por cento, a 1,663 real. Kanuer lembrou que o dia foi "atípico" devido à movimentação de investidores antes da formação da última Ptax do mês.

Visão semelhante tem o operador de câmbio de um banco dealer. "Tem muita gente querendo derrubar a Ptax e isso foi mais visível pela manhã, antes de o BC atuar", comentou, sob condição de anonimato.

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