BC é obrigado a cortar gasto para se adequar a orçamento

Instituição teve de pôr em prática discurso de austeridade contra a inflação

MURILO RODRIGUES ALVES , BRASÍLIA , FÁBIO ALVES / SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2013 | 02h06

Acostumado a pedir austeridade nos gastos do governo como medida indispensável para o controle da inflação, o Banco Central teve de colocar o discurso em prática na própria casa. A autoridade monetária divulgou ontem que, para se adequar a um orçamento 23% menor neste ano, foi preciso cortar de estagiários a assessores de imprensa, implementar cotas para impressão e acesso à internet e acabar com o transporte exclusivo dos diretores.

O BC tinha R$ 202,8 milhões para gastar com custeio este ano. No entanto, o Ministério do Planejamento impôs um bloqueio de R$ 47,1 milhões do valor, fazendo com que a dotação orçamentária fosse reduzida a R$ 155,7 milhões.

Essa foi a "gordura" que o ministério encontrou para queimar na instituição e faz parte do corte adicional de R$ 10 bilhões do Orçamento, anunciado em julho, com o intuito de recuperar a credibilidade da política fiscal e ajudar justamente o BC a cumprir uma de suas missões - o combate à inflação.

O Ministério da Fazenda ficou encarregado de cortar R$ 990 milhões - incluindo o corte do BC -, mas não detalhou ainda como isso será feito. Apenas informou que o bloqueio se daria com diminuição do material de consumo, de viagens e diárias, além de cancelamento de contratos de terceirizados.

Responsável pelo atual ciclo de aumento dos juros básicos, a instituição deixou escapar um tom de insatisfação em ter de colocar freio nos próprios gastos.

"Apesar dos impactos previstos, esperamos que a prestação dos serviços essenciais à sociedade seja mantida, contando com a força de trabalho, o compromisso e a competência do nosso corpo funcional", diz o comunicado interno da diretoria colegiada do Banco Central.

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