Andre Dusek/Estadão
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BC e Tesouro fazem ação conjunta para acalmar mercado

O presidente do BC, Alexandre Tombini, disse que reservas internacionais podem ser usadas para conter volatilidade no câmbio; Tesouro vai iniciar bateria de leilões de títulos

Adriana Fernandes, O Estado de S. Paulo

24 Setembro 2015 | 18h31

O Banco Central e o Tesouro Nacional saíram nesta quinta-feira, 24, a campo dispostos a mostrar uma força conjunta de ação para enfrentar o estresse do mercado financeiro, em meio à disparada do dólar e dos juros, que tem deixado inquieta toda a Esplanada dos Ministérios na capital federal.

Uma postura mais agressiva estava sendo cobrada dentro e fora do governo. E finalmente, na manhã de hoje, o presidente do BC, Alexandre Tombini, deu a senha para a ação do Tesouro, que agora à tarde anunciou um programa diário de venda e compra de NTF-F. O acerto foi feito em conversas com o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. 

Em uma das raras aparições em que se dispôs a responder perguntas abertas dos jornalistas brasileiros, Tombini disse que Tesouro e BC iriam usar os instrumentos adequados para momentos de maior estresse para não adicionar volatilidade. 

O presidente do BC não descartou nem mesmo o uso das reservas internacionais, ação que a autoridade monetária resiste em lançar mão. Com a fala mais proativa, Tombini deixou em suspense o momento da ação afirmando que "como e quando" dependem do acompanhamento diário.

Já a ação do Tesouro, com a bateria de leilões, que se dará de amanhã a 2 de outubro, tem como objetivo dar parâmetros de preços num mercado estressado pelas incertezas que rondam a economia brasileira e contaminam a confiança. O comportamento do dólar e do DI futuro de longo prazo contaminou a curva de juros inteira e o mercado ficou disfuncional. O leilão de compra e venda é feito para estabilizar as taxas.

Se repetir a estratégia adotada em outras ocasiões, a compra e venda de títulos deve continuar até que o mercado encontre um ponto de equilíbrio de preços entre compradores e vendedores e volte à sua funcionalidade.

Inicialmente, o Tesouro compra mais do que vende para dar a porta de saída para os investidores que queriam se desfazer dos seus papéis, mas não encontravam compradores. E, aos poucos, a tendência é de que comece a aparecer compradores que se sentem mais confortáveis em adquirir os papéis num novo patamar de preços.

Essa estratégia já foi usada pelo Tesouro em outras ocasiões. A última vez foi em 2014. Agora, porém, as incertezas bem maiores decorrentes da crise política e econômica dificultam o trabalho. O mercado também está à espera dos instrumentos do BC que Tombini alardeou.

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