BC e Tesouro não irão elevar exposição cambial, prevê acordo

O Banco Central e o Tesouro Nacional não irão elevar sua exposição cambial líquida, quer seja pelo aumento do estoque da dívida indexada à taxa de câmbio, pelo aumento da exposição do BC a swaps cambiais ou pela negociação de contratos de derivativos, exceto em "circunstâncias extraordinárias". O compromisso está firmado no Memorando de Política Econômica do último acordo acertado entre o Brasil e o Fundo Monetário Internacional (FMI), divulgado pelo Ministério da Fazenda. "Se as condições do mercado permitirem, o setor público buscará reduzir sua exposição cambial por meio da rolagem de um volume inferior a 100% desses instrumentos à medida que forem vencendo", afirmam os técnicos do governo e do Fundo no documento. Os técnicos ressaltam ainda que a experiência dos últimos anos confirma a "importância" do regime de taxa de câmbio flutuante para ajudar a economia a reagir a choques. Na conclusão do documento, os técnicos frisam que apesar de manter os fundamentos da econômicos "sólidos", a combinação do agravamento do cenário internacional com o aumento da incerteza "entre os investidores" quanto à orientação das políticas econômicas brasileiras no futuro levou à deterioração das variáveis do mercado financeiro nos últimos meses. "A austeridade das políticas fiscais, a manutenção da disciplina nas políticas monetárias e o fortalecimento da agenda de reformas estruturais descritos neste Memorando, juntamente com o novo acordo Stand-by com o Fundo, visam garantir a estabilidade econômica e proporcionar um arcabouço para a continuidade das principais políticas macroeconômicas no ano vindouro", afirmam. Além das medidas descritas no memorando, o governo brasileiro afirma no documento que está "decidido a ajustar" suas políticas na "medida necessária" para garantir a "consecução dos objetivos" de seu programa econômico. IntercâmbioOs técnicos do governo e do FMI ressaltam que o Banco Central manterá o "intercâmbio de informações" com os técnicos do Fundo sobre a evolução da política monetária brasileira. Esse intercâmbio se dará pela prestação de esclarecimentos sobre a "fundamentação econômica e técnica de suas (Banco Central) decisões de política". "O Banco Central está pronto para reagir às variações na inflação projetada a fim de alcançar a convergência para as metas de inflação dentro do horizonte temporal adequado", afirmam os técnicos no documento. Os técnicos reforçam no Memorando que as pressões inflacionárias se intensificaram com a depreciação do real, o que se traduziu em aumentos mais freqüentes e "acima do esperado" dos preços administrados, sobretudo no caso dos derivados de petróleo. "Segundo a atual projeção do Banco Central, os preços administrados pelo governo ou definidos por contrato devem subir 8,4% este ano, provocando aumento acima do esperado, de 2,6 pontos porcentuais, na inflação de 2002", argumentam os técnicos. "As projeções para a inflação continuarão a ser analisadas durante as avaliações do programa (acordo) e o BC manterá o intercâmbio de informações com o corpo técnico do FMI", complementaram.Lucro de bancosO acordo do Brasil com o FMI prevê que os lucros do bancos no Brasil deverão permanecer pressionados no restante do ano. Essa pressão se dará em função da queda dos preços dos títulos, pela desaceleração do crescimento do crédito e pelo aumento do provisionamento obrigatório. Segundo o "Memorando de Política Econômica", um dos documentos do acordo, o total de provisões bancárias atingiu R$ 25,6 bilhões no fim de junho. O documento diz que essas provisões "satisfazem plenamente" os requisitos mínimos de provisionamento. O documento destaca ainda que o sistema bancário brasileiro continua saudável depois de ter sido submetido a inúmeros testes de estresse nos últimos anos. "E reagindo bem", acrescenta o memorando. Em março, segundo o documento, a relação entre as reservas de capital e os ativos ponderados pelo risco era de 17,1%. "Com exceção de dois bancos de pequeno porte, todas as instituições estavam acima do coeficiente mínimo de capital capital requerido, de 11%", diz o texto, que acrescenta que, embora tenham sido menores do que os do primeiro trimestre de 2001, os lucros foram compatíveis com a média registrada nos últimos três anos.

Agencia Estado,

04 de setembro de 2002 | 18h09

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