BC eleva juro para 12,5%, mas indica fim do ciclo de aperto monetário

Em comunicado divulgado após reunião do Copom, autoridade exclui trecho que falava em ''ajuste suficientemente prolongado'' da Selic

Fabio Graner / BRASÍLIA,

21 de julho de 2011 | 01h04

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu elevar em 0,25 ponto porcentual a taxa básica de juros, para 12,50% ao ano. Mas, ao promover a quinta elevação da Selic este ano para combater a inflação, o BC indicou ao mercado financeiro que o processo de aperto monetário pode ter tido ontem o último capítulo, pelo menos temporariamente.

Para fazer a indicação de um possível fim do processo de aperto dos juros, o BC mudou completamente o comunicado da decisão. De um texto longo e que falava de ajuste por período "suficientemente prolongado", usado nas últimas duas reuniões, o colegiado passou para um texto bem mais enxuto, sem menções diretas ou indiretas sobre período de ajuste monetário e ainda lançando mão da expressão "neste momento", que abriu a porta para o BC não subir juros em agosto, como esperavam e desejavam muitos analistas do mercado financeiro.

"Avaliando o cenário prospectivo e o balanço de riscos para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, neste momento, elevar a taxa Selic para 12,50% ao ano, sem viés", disse o BC no comunicado. Ao usar um estilo genérico, o Copom reforça a tese de que "cada reunião tem sua história" e que cada decisão é tomada a partir de uma reflexão sobre todo o contexto econômico.

Freio. A despeito da sinalização de que poderá parar de subir os juros, o objetivo do BC, ao elevar a Selic mais uma vez, foi reforçar o processo de contenção do crescimento da economia e, assim, diminuir as pressões inflacionárias, especialmente em setores como o de serviços.

Com uma estratégia gradualista, o BC já aumentou a Selic em 1,75 ponto porcentual este ano - incluindo o ajuste de ontem. Apesar disso, a autoridade monetária tem tido dificuldade para reverter as expectativas de inflação do mercado financeiro para 2012, que estão acima de 5% e ainda um pouco distantes do centro da meta (4,5%).

Isso é um problema porque o BC se comprometeu a colocar a inflação no próximo ano em 4,5%. Se os agentes econômicos não acreditam que isso vai acontecer, o processo de controle de preços fica mais difícil de ser bem-sucedido.

O economista-chefe do banco WestLB, Roberto Padovani, afirmou que duas pistas foram dadas para a interpretação de que os juros não devem mais subir: a retirada da expressão "período suficientemente prolongado" e a colocação do "neste momento". "Os dois sinais abrem espaço para o BC não subir os juros em agosto", disse Padovani, que espera a manutenção da Selic em 12,50% até o fim do ano que vem. "O BC não está fechando a porta, mas já prepara o mercado."

Para o economista-chefe da Fram Capital, Robério Costa, aumentou a chance de o BC parar de subir os juros. "A probabilidade maior é de a Selic ficar em 12,50% ao ano. O BC costuma sinalizar para o mercado para não haver movimentos bruscos. E essa é uma sinalização muito clara de que pretendem parar por aí."

O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, mudou sua aposta de pelo menos mais uma alta de juros em agosto para manutenção em 12,50% ao ano. Apesar disso, ele considera que o BC está no caminho errado ao não apertar mais a política monetária em um ambiente de expectativas para 2012 ainda longe da meta de 4,5% para a inflação.

A Consultoria LCA considera que, apesar de o comunicado indicar um possível encerramento do ciclo de alta dos juros, o processo de aperto das condições monetárias ainda se estenderá.

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