BC eleva previsão de inflação e sinaliza corte menor de juros

Segundo ata, estimativa para alta de preços subiu, mas se mantém abaixo da meta; próxima reunião é em julho

Reuters e Agência Estado,

18 de junho de 2009 | 08h57

Ressaltando que será cauteloso para garantir a convergência da inflação para as metas, o Banco Central disse nesta quinta-feira, 18, ver uma "margem residual" para flexibilização monetária. Para o mercado, isso significa que o corte de juro será bem menor em julho e que o ciclo pode acabar já no mês que vem ou, no máximo, em setembro.

 

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC disse em sua última ata, divulgada nesta quinta, que com o juro em nível recorde de baixa, a preservação da inflação benigna depende de monitoração cautelosa do sistema financeiro e da economia.

 

"A despeito de haver margem residual para um processo de flexibilização, a política monetária deve manter postura cautelosa, visando assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas", avaliou o BC.

 

"O Copom entende, também, que a preservação de perspectivas inflacionárias benignas irá requerer que o comportamento do sistema financeiro e da economia sob um novo patamar de taxas de juros seja cuidadosamente monitorado ao longo do tempo."

 

O BC também disse que o desaquecimento da demanda interna gerou uma importante margem de ociosidade que não deve ser eliminada rapidamente e que tal movimento reduziu as pressões inflacionárias. Mas as previsões da autoridade para a inflação em 2009 e em 2010 aumentaram desde abril, segundo a ata, apesar de continuarem abaixo do centro da meta de 4,5%.

 

"O Copom avalia que a probabilidade de que pressões inflacionárias inicialmente localizadas venham a apresentar riscos para a trajetória da inflação diminuiu... De qualquer modo, o Comitê reafirma que continuará conduzindo suas ações de forma a assegurar que os ganhos obtidos no combate à inflação em anos recentes sejam permanentes."

 

Fim próximo

 

Para os economistas, o BC está sinalizando o fim do atual ciclo. Ainda não há um consenso no mercado sobre exatamente quando ou em qual patamar ele se encerrará, mas a maioria das opiniões ouvidas pela Reuters após a divulgação da ata apontam um corte de 0,50 ponto em julho e mais um, ainda sem magnitude prevista, em setembro. Na semana passada, o Copom reduziu a Selic em 1 ponto, a 9,25%.

 

"Ele vê que está se aproximando do fim do ciclo e vê pouco espaço para mais cortes. Mas ele não sinalizou uma parada imediata, um encerramento do ciclo", disse Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin, que estima redução de 0,50 ponto em julho e talvez mais um movimento na reunião seguinte do Copom, em setembro.

 

Newton Rosa, economista-chefe do SulAmérica Investimento, tem um cenário mais conservador, de corte de 0,25 ponto no mês que vem e manutenção em 9% até o fim de 2010. "Ele julga que esse quadro de atividade fraca tem gerado uma inflação baixa, então significa que há espaço para flexibilização, mas ele também chama atenção para os cortes já feitos, que junto a um cenário de que a economia mostrará melhora, sugere cautela", disse Rosa.

 

Recuperação

 

Sobre a economia, o BC também disse que as perspectivas melhoraram desde a última reunião, em abril, apesar de as influências contracionistas da crise sobre economia interna poderem se mostrar persistentes. "Continuam a ser registrados sinais de redução na aversão ao risco, mas o retorno da confiança permanece frágil e sujeito a reversões", afirmou o Copom.

 

Para o Banco Central, a produção passa atualmente por um processo de gradual recuperação. Na ata, os diretores afirmam que "o comportamento da série da indústria geral e de seus componentes, na margem, com os dados até aqui disponíveis, sugere que o piso da produção ocorreu em dezembro-janeiro, sendo seguido por gradual recuperação".

 

Essa avaliação é baseada principalmente pelos dados divulgados pelo IBGE. Em abril, a produção industrial, conforme os dados dessazonalizados, avançou 1,3% no acumulado de três meses. Na comparação mês a mês, o aumento foi de 1,1% em abril após expansão de 0,9% em março. Apesar dessa retomada, a indústria "continua sendo influenciada pela conjuntura internacional, tanto por seus efeitos sobre as exportações e as condições de crédito, quanto sobre as expectativas das empresas e das famílias", completa o documento.

 

Texto atualizado às 10h30

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