BC eleva previsão de inflação para 2008, de 4,2% para 4,3%

Relatório também prevê mais inflação ainda neste ano e diz ser cedo para avaliar impacto do fim da CPMF

Adriana Fernandes e Renata Veríssimo, da Agência Estado,

27 de dezembro de 2007 | 08h50

O Banco Central ampliou a sua previsão de inflação pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para o ano que vem. Segundo o relatório de inflação, divulgado na manhã desta quinta-feira, 27, pelo BC, subiu de 4,2% para 4,3% a projeção de inflação para este ano. O Banco Central fixou uma projeção de inflação de 4% ao final do primeiro trimestre de 2008, de 4,3% ao final do segundo trimestre e de 4,5% para o terceiro trimestre. O BC também aumentou a meta de inflação para este ano, de 4% para 4,3%. O Banco Central divulgou ainda nesta quinta as primeiras estimativas do IPCA para 2009. A previsão é de que a inflação feche aquele ano em 4,2%. A estimativa para o primeiro trimestre de 2009 é de uma inflação de 4,3%, que deve se repetir no segundo e terceiro trimestres do mesmo ano. A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) para 2007 e 2008 é de 4,5%, com uma banda de dois pontos porcentuais para mais ou para menos. O cenário considerado pelo Banco Central para estabelecer essas metas é de juros constantes de 11,25% ao ano. O Relatório Trimestral de Inflação afirma que há evidências de que a expansão do crédito está ajudando a sustentar a ampliação dos investimentos. "A despeito da incerteza sobre o comportamento da economia global e da volatilidade recente dos mercados financeiros internacionais, a combinação de lucratividade e confiança elevadas associada a condições de financiamento favoráveis deve contribuir para a continuidade do desempenho benigno do investimento", diz o documento. O relatório diz ainda que, contrariando expectativas menos otimistas em relação ao desempenho da economia brasileira, o investimento tem-se apresentado como um dos componentes mais dinâmicos na demanda doméstica. O texto acrescenta que o dinamisto do investimento reflete o aumento do lucro das empresas e da confiança do empresariado. Além disso, o BC destaca a importância da expansão do crédito para o aumento do consumo pelas famílias, associado à melhoria da massa salarial. O relatório que a massa salarial continuará sendo um dos pilares de sustentação da demanda agregada. O documento diz que esses fatores, associados aos índices de confiança do consumidor em patamares elevados indicam a disposição da população de aumentar os gastos. CPMF Consta também no relatório de inflação do Banco Central que ainda é cedo para avaliar as possíveis conseqüências do fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) sobre a demanda agregada da economia e, conseqüentemente, sobre a inflação. O BC alerta, no entanto, que essas conseqüências dependem de desdobramentos futuros da política fiscal. "Nesse contexto, em linha com a avaliação feita pelo Copom em documentos anteriores, tornam-se crescentes as incertezas em relação à dinâmica futura da inflação, associadas à intensidade e às defasagens com que opera o mecanismo de transição da política monetária, especialmente se considerarmos que são cumulativos os efeitos do processo de flexibilização monetária iniciado em 2005", afirma o documento. Ressalta que os números do PIB do terceiro trimestre de 2007 corroboram essa avaliação. O texto do BC avalia ainda que os chamados "impulsos fiscais" (efeito das despesas do setor público na economia) esperados para 2008 constitui um fator adicional de estímulo à demanda doméstica.

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