BC eleva previsão de investimento em 50%

Projeção de investimento estrangeiro no Brasil este ano chega agora a US$ 82 bilhões, incluindo US$ 60 bilhões em produção

EDUARDO CUCOLO, CÉLIA FROUFE / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 de setembro de 2012 | 03h15

O Banco Central elevou em 50% a previsão de ingresso de investimentos estrangeiros no País em 2012 em relação à estimativa feita há três meses. De acordo com a instituição, os investidores continuaram confiantes no País, apesar da crise, no que se refere a projetos de longo prazo.

Ao todo, o BC espera US$ 82 bilhões em investimentos no País em 2012.

A previsão para os investimentos estrangeiros diretos (IED) em empresas brasileiras, por exemplo, subiu 20%, para US$ 60 bilhões. Com essa nova previsão, o Brasil terá agora recursos para cobrir com folga, pelo quinto ano seguido, o resultado negativo do País nas suas transações de bens e serviços com o exterior, que foi revisto para baixo pela instituição, para US$ 53 bilhões.

"A avaliação sobre o Brasil continua positiva, e o melhor indicador sobre isso são os fluxos de IED, que não tiveram uma mudança de comportamento, a despeito das adversidades", afirmou o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Tulio Maciel.

Na avaliação do economista sênior do BES Investimento do Brasil, Flávio Serrano, o BC parece ter se convencido de que a crise internacional não será tão prejudicial aos investimentos como se pensava. "Talvez o BC tenha sido conservador em suas projeções anteriores, pois a crise externa indicava contração dos investimentos", disse. "Mas os dados foram mostrando uma dinâmica mais consistente e forte que o obrigou à revisão para cima." Já a estimativa para entrada de empréstimos externos acima de um ano, também classificada pelo BC como investimento, passou de apenas US$ 100 milhões para US$ 9,1 bilhões. Em junho, o governo zerou o IOF para captações entre dois e cincos anos, que estava em 6% desde março.

"Estamos considerando um quadro de ampliação da liquidez externa", disse Maciel.

Apesar de prever entrada maior de dólares, o BC evita falar em "tsunami" de recursos, expressão utilizada pela presidente Dilma Rousseff para falar da migração de dólares do exterior em busca de rentabilidade maior no Brasil. Até porque a previsão da instituição para entrada de dinheiro para a Bolsa de Valores e renda fixa, somada, ficou praticamente inalterada, em US$ 12 bilhões.

Lucros. A nova previsão para o déficit nas transações com o exterior, US$ 3 bilhões menor que a estimativa feita há três meses pelo BC, se deve principalmente à queda na conta de remessas de lucros para outros países. Segundo a instituição, isso reflete a desaceleração da economia brasileira, que impactou o lucro das empresas, a alta do dólar e as remessas maiores de filiais de empresas brasileiras no exterior.

Em relação às viagens internacionais, a previsão ficou praticamente estável, pois os gastos de brasileiros fora do País tem se mantido neste ano próximos dos verificados em 2011.

Déficit de agosto. O déficit em transações correntes no País somou US$ 2,568 bilhões em agosto, segundo dados apresentados ontem pelo BC. O valor apurado no mês passado é inferior ao observado em igual mês de 2011, quando as transações correntes registraram saldo negativo de US$ 4,849 bilhões.

De acordo com o BC, as maiores contribuições para o déficit de agosto deste ano foram a conta de rendas, que ficou negativa em US$ 3,063 bilhões e a de serviços, também negativa em US$ 3,011 bilhões.

Essas saídas de recursos foram parcialmente compensadas pelo superávit comercial de US$ 3,226 bilhões e pelas transferências unilaterais positivas em US$ 280 milhões.

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