BC eleva tom e alerta que revés na Previdência pode cessar queda da inflação

O estrago pode ser ainda maior se houver uma reversão do cenário externo mais favorável para as economias emergentes como a brasileira

Adriana Fernandes*, O Estado de S.Paulo

12 Dezembro 2017 | 14h08

Na semana decisiva de negociação para a votação da proposta de reforma da Previdência até o final do ano, o Banco Central elevou o tom para reforçar o discurso de que a aprovação das mudanças nas regras de aposentadoria e pensão são essenciais para manter a taxa de juros em patamares baixos.

Um revés na aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) tem potencial para colocar em risco a trajetória de queda da inflação e elevar o risco do País, advertiu com todas as letras o BC na ata do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgada nesta terça-feira, 12. A combinação de queda de juros e inflação seria interrompida com uma frustração das reformas.

O estrago pode ser ainda maior se houver uma reversão do cenário externo mais favorável para as economias emergentes como a brasileira. O dilema adicional é que, sem a reforma da Previdência, o Brasil ficará excessivamente vulnerável ao que pode acontecer na política de juros dos Estados Unidos e ao humor do mercado em 2018 em relação a quem estiver liderando a corrida eleitoral. Este último não explicitado pelo BC na ata, mas que está no radar dos investidores.

Depois de reduzir a taxa de juros para o patamar histórico de 7%, o BC deixou aberta a porta para uma nova queda mais moderada para 6,75% (recuo de 0,25 ponto porcentual), em fevereiro, mas alertou que tudo dependerá do cenário de riscos, o que inclui a evolução do cenário de reformas.

Não aprovar a reforma da Previdência agora não será o fim do mundo para o País, mas pode trazer uma excessiva volatilidade num momento em que a economia precisa consolidar os avanços macroeconômicos, principalmente a queda da inflação e dos juros para níveis que impulsionam a retomada do crescimento.

Inflação e juros baixos são a maior vitória do governo do presidente Michel Temer no campo econômico, já que a fragilidade das contas públicas continua como uma ameaça ao crescimento.

A volatilidade já tem sido grande e a cada declaração de maior pessimismo em relação à votação marcada para o próximo dia 18 é motivo para a piora do humor dos investidores que se reflete na alta dos juros futuros e dólar.

Com a ata, o BC se junta aos integrantes da equipe econômica que, nas últimas semanas, intensificou as mensagens dramáticas de risco para a economia de frustração da reforma. O recado do governo tem sido que sem reforma o teto de gastos vai ruir, os investimentos previstos não vão acontecer, faltarão recursos para educação e saúde e a retomada econômica será perdida.

Em meio às dificuldades do governo para conseguir os 308 0votos necessários, o presidente Michel Temer e o relator da reforma, deputado Arthur Oliveira Maia (PPS-BA), já preparam aos poucos o terreno para o pior: o adiamento da votação.

A ênfase agora dos dois é que não será um grande problema se a votação da PEC ficar para 2018 porque o debate no plenário da Câmara começará agora.

*Adriana Fernandes é repórter do Broadcast e colunista do jornal O Estado de S. Paulo.

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