BC: emergentes devem manter política contracionista

O Relatório Trimestral de Inflação, divulgado hoje pelo Banco Central, afirma que, diante do quadro de deterioração das pressões inflacionárias globais, a tendência dos países emergentes é de prosseguir com políticas monetárias contracionistas.Porém, o BC também detectou sinais de mudança de comportamento dos países desenvolvidos. "Nas economias maduras, a aceleração da inflação, que em certos casos também começa a ter efeitos sobre as expectativas inflacionárias de médio prazo, levou à mudança substancial na postura e na comunicação das autoridades monetárias, que passaram a enfatizar as respectivas preocupações com a inflação", afirma o BC, no documento.O relatório destaca ainda que, apesar da mudança dos BCs de países avançados, a situação de fragilidade gerada pela crise de crédito, originada nos Estados Unidos, limita a ação da política monetária, mas "a tendência geral deve ser de adoção gradual de medidas restritivas".O BC avalia ainda que o período de desaceleração dessas economias pode adentrar 2009. E ressalta ainda que "persiste a percepção de risco sistêmico, ainda que de forma menos intensa do que no início deste ano". Mesmo diante da desaceleração global em curso, o BC pondera que isto não dá sinais de estar "sendo suficiente para conter as pressões inflacionárias". IncertezaO relatório do BC avalia que as incertezas relativas à dinâmica futura da inflação ao consumidor continuam elevadas. Segundo o BC, essa avaliação "encontra respaldo, dentre outros fatores, na deterioração das expectativas, na redução da capacidade ociosa e também nas pressões de preços no mercado atacadista".Nesse tema, o BC destaca os riscos relativos aos preços no atacado e uma eventual transmissão para os índices de preços ao consumidor."Em virtude da magnitude e da persistência dos aumentos de preços no atacado, o risco desses aumentos se materializarem em crescimento significativo no índice de preços ao consumidor", cita o documento. "Os preços agrícolas no atacado ainda exercem pressão considerável, e perspectivas para sua acomodação devem ser analisadas à luz das tendências de expansão da demanda global por alimentos e da escassez relativa", completa o texto.RiscoO texto observa, porém, que "o maior risco advém dos preços industriais pois, além de se localizarem mais próximos da etapa do consumo final e, por conseguinte, serem transmitidos de modo mais rapidamente para os preços ao consumidor, costumam mostrar maior persistência".Na avaliação do BC, são "exatamente esses preços que se encontram em consistente aceleração desde o segundo semestre de 2007, refletindo tanto as pressões inflacionárias externas quanto o aquecimento da atividade no Brasil".

FÁBIO GRANER E FERNANDO NAKAGAWA, Agencia Estado

25 de junho de 2008 | 11h02

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