BC endurece discurso e defende atuação 'preventiva'

O Banco Central elevou suas projeçõesde inflação para este ano para níveis acima da metaestabelecida pelo governo e recrudesceu seu discurso depreocupação com o comportamento dos preços. Em relatório divulgado nesta quinta-feira, o BC disseprojetar uma inflação de 4,6 por cento ou 4,7 por cento para2008, dependendo do cenário de juros e câmbio adotado. Ambas asestimativas superam o centro da meta, de 4,5 por cento. Ao comentar o relatório, o diretor de Política Econômica doBanco Central, Mario Mesquita, destacou a deterioração docenário inflacionário desde o final do ano passado e frisou queé papel da autoridade monetária agir de "forma preventiva" paraevitar que o comportamento dos preços se distancie das metas. "Os bancos centrais têm que agir de forma preventiva. OBanco Central que espera a inflação divergir muito em relação àmeta para atuar em geral acaba tendo que atuar de forma muitointensa, por muito tempo, o que tende a ser danoso do ponto devista da atividade econômica", disse Mesquita a jornalistas. O diretor disse haver na economia um "descompasso entre oritmo de crescimento da oferta e da demanda" que cria o riscode que aumentos isolados de preços acabem se disseminando. Ele acrescentou que a elevação das projeções do BC não ésurpreendente dada a deterioração dos riscos inflacionáriosverificados desde o final do ano passado.Entre os fatores que têm pressionado a inflação, Mesquita citou"a intensificação da atividade econômica, as pressões sobrepreços industriais no atacado, a elevação de vários preços decommodities e a elevação da própria expectativa de inflação". Para o diretor, o alívio dado à inflação pelo crescimentodas importações --que vem suprindo parte do aumento da demandaque não é suprida pelo mercado doméstico-- tem se reduzido. "A contribuição do setor externo para mitigar pressõesinflacionárias parece estar se tornando menos efetiva", disseMesquita. Ao comentar o papel do crédito sobre o aquecimento dademanda, o diretor disse, ainda, que ele tem sido menordeterminante do que o crescimento da massa salarial. Mesquitaargumentou que os bens duráveis têm participação inferior a 10por cento no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo(IPCA), enquanto bens não-duráveis --cujas vendas, em geral,não são feitas a crédito-- têm participação de 26,5 por cento.

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