Patrícia Santos/Estadão
Patrícia Santos/Estadão

Bolsa

E-Investidor: As 10 ações com maior potencial de queda, na visão do mercado

BC enfrenta desafio cada vez maior para levar inflação ao centro da meta

Mercado. Comitê de Política Monetária se reúne esta semana para decidir o que fazer com a taxa de juros em meio a um cenário de economia em forte recessão, dólar em alta, agravando o quadro inflacionário, e crise política, que impede o avanço do ajuste fiscal

Alexa Salomão e Luiz Guilherme Gerbelli, O Estado de S.Paulo

17 de outubro de 2015 | 15h28

O Banco Central (BC) está numa encruzilhada. Insiste que vai cortar a inflação praticamente pela metade entre este ano e o final do próximo. Hoje, ela beira os 10% ao ano. Mas o BC afirma que termina 2016 em 4,5%, o centro da mete que ele mesmo se propôs a cumprir. Ocorre que não há um economista que considere a previsão viável. Nem analistas de mercado, nem economistas que um dia estiveram dentro da própria instituição dizem que isso seja possível.

Nesta semana, o Copom (Comitê de Política Monetária do BC), se reúne para decidir justamente como vai perseguir essa meta. Precisa avaliar se eleva a Selic, a taxa básica de juros, hoje em 14,75%. O cenário é delicado. De um lado, a recessão, acompanhada de desemprego e queda da renda, se agrava. As pessoas compram menos e isso naturalmente vai reduzir a inflação. Mas, de outro, o dólar subiu demais e permanece instável, o que pressiona os preços.

O Estado ouviu três ex-presidentes e quatro ex-diretores do Banco Central. Também consultou projeções atualizadas de mais de 20 instituições financeiras. Numa atípica unanimidade, todos veem que a melhor estratégia para o BC é esperar.

“O BC não tem uma vida fácil”, diz o economista Affonso Celso Pastore, ex-presidente do Banco Central e sócio da A.C.Pastore & Associados. “A taxa de juros que está aí impede que a inflação faça uma escalada sem limites: tanto que estamos vendo uma inflação perto de 10%, mas é provável que vá a 6% no ano que vem”, diz. “Mas não vai a 4,5%, como diz o BC. Esse discurso é inconsistente.” O próprio BC já teria se dado conta e, internamente, estaria estudando como mudar o discurso e o prazo para cumprir a meta.

Na avaliação de Pastore e dos demais economistas, o BC não tem muito a fazer neste momento porque sofre os efeitos de uma espécie de círculo vicioso, alimentado muito mais pela política do que pela economia.

Fiscal. Para deter a inflação, o principal trunfo do banco é elevar os juros. Mas a alta estaria no limite. Ele precisa agora da ajuda do ajuste fiscal – que o governo gaste menos, reduza o volume de dinheiro que injeta na economia. Porém, o ajuste depende da aprovação de uma série de medidas no Congresso. Como governo e Congresso não se entendem, o ajuste empacou.

Para agravar, a crise política gerou uma incerteza tão grande sobre os rumos do Brasil que afetou o apetite dos investidores. Muitos tiram dinheiro do País, o que eleva o dólar. O dólar mais alto alimenta a inflação – e volta-se à origem do problema: o BC precisa do ajuste, que empacou na crise política, que leva à incerteza, que mexe com o câmbio, que eleva a inflação. “Com a dificuldade de implementar um ajuste fiscal profundo, o processo de ancorar as expectativas vai ser muito mais demorado”, diz Carlos Langoni, ex-presidente do BC e diretor do Centro de Economia Mundial da FGV.

O mais complicado neste processo é que o BC precisa ser cauteloso sem parecer leniente com a inflação, o que agravaria a situação da economia. “As inflações começam pequenas e depois vão aumentando”, diz Gustavo Loyola, também ex-presidente da instituição e sócio da Tendências Consultoria. “Se eu estivesse no BC seria bastante conservador. Não estou defendendo que o BC saia por aí como um míssil sem direção, elevando os juros. Mas ele não deve se comportar como se a briga com a inflação estivesse perdida. O Banco Central precisa ser o último a jogar a toalha.”

O QUE DIZEM EX-PRESIDENTES DO BC

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
Affonso Pastore: “É preciso olhar a meta de inflação, sim, mas também os custos de se chegar até a meta. Se você subir a taxa de juros para alcançar a meta que o BC está mirando agora, o custo será uma recessão ainda mais profunda que a atual. O correto é o BC dizer: olha, vamos, sim, voltar para a meta, mas em um horizonte muito mais longo. E o horizonte é igual ao tempo em que prevalecer a política fiscal (gastos públicos) expansionista.”
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
Carlos Langoni: “Em qualquer processo de ajuste bem-sucedido existe uma coordenação maior entre política monetária e fiscal. O Banco Central avançou bastante no aperto monetário, mas ele contava com o impacto positivo do ajuste fiscal neste segundo semestre. Isso não ocorreu. E o resultado é que os dados do Focus mostram a expectativa da inflação em alta: em 2015 caminhando para dois dígitos e no ano que vem superando a barreira dos 6%.”
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
Gustavo Loyola: “A maior colaboração que o BC deve dar neste momento é fazer o trabalho para o qual foi criado: preservar a estabilidade da moeda. O BC é uma âncora. Eu tenho esta visão, até como ex-funcionário do banco. Fiz parte da minha carreira lá dentro. O BC tem uma função institucional e não pode abrir mão dela. O que de pior poderia acontecer neste momento para o Brasil seria adicionar, à crise, o descontrole inflacionário.”
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313

 

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.