BC espera alta moderada do crédito

Instituição projeta crescimento de 14% no estoque de empréstimos para o próximo ano, abaixo da alta prevista de 16% para 2012

EDUARDO CUCOLO , EDUARDO RODRIGUES / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2012 | 02h06

O Banco Central prevê expansão mais moderada do crédito em 2013, apesar da expectativa de crescimento maior da economia no próximo ano.

Para o governo, as instituições públicas devem crescer menos do que neste ano nessa área. Ainda assim, registrarão desempenho bem acima do esperado para os bancos privados. O BC projeta crescimento de 14% no estoque de empréstimos, que é o valor total das dívidas de empresas e consumidores com o sistema financeiro, em 2013, abaixo dos 16% esperados para 2012. O porcentual está abaixo do verificado nos últimos anos. Em 2010, por exemplo, o crédito teve expansão de 21%.

Com base nos dados até novembro, o BC espera que os bancos públicos fechem o ano com expansão de 26% nos empréstimos. A política do governo de redução das taxas de juros deixou as instituições com ampla vantagem em relação ao setor privado nacional, que vai registrar crescimento de apenas 7%. Os bancos estrangeiros que atuam no País devem ter desempenho pouco melhor, de 11%.

As instituições públicas já respondem por 47% do crédito, concentrado no Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Devem ampliar essa participação em 2013, pelas previsões do BC, que espera agora uma expansão de 18% na carteira de empréstimos dos bancos estatais.

Privados nacionais e estrangeiros devem crescer, respectivamente, 10% e 12%, no próximo ano.

Fator importante. O chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, diz que o crédito continuará como fator importante para o crescimento do País no próximo ano e que o ritmo atual de expansão acompanha os indicadores de renda. "O crédito se expande acima do PIB, de forma sustentada, junto com a renda, mas em ritmo moderado em relação aos anos anteriores. Isso é natural, até mesmo porque a base de comparação vai aumentando", avaliou.

Maciel destacou que, na comparação com o Produto Interno Bruto (PIB), o estoque de empréstimos deve chegar a 53% neste ano e 55% no próximo, ainda abaixo da média dos países desenvolvidos.

O BC espera ainda recuo da inadimplência "mais à frente" e avalia que o período mais crítico nos atrasos, principalmente no crédito para veículos, ficou para trás. Também vê um ritmo menor de queda nos juros daqui pra frente. "Eles devem continuar caindo, mas não nessa magnitude", disse Maciel.

Os dados de novembro mostraram que a taxa média de juros caiu pelo nono mês seguido, para 28,9% ao ano, novamente o menor patamar da série do BC, de 2000. Em fevereiro, estava em 38,1% ao ano. A inadimplência teve ligeira queda, para 5,8%, após permanecer quatro meses seguidos em 5,9%.

Como acontece todo fim de ano, o crédito para empresas acelerou, tanto em novembro como na primeira semana de dezembro. Por outro lado, o crédito ao consumidor caiu nesse período. Segundo o BC, isso se deve ao pagamento do 13.º salário.,

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