BC espera conversão da inflação para a meta de 4,5%

Banco Central também espera um crescimento moderado do crédito, de 15%, e superávit em torno de 3% do Produto Interno Bruto

Célia Froufe, Fernando Nakagawa e Eduardo Cucolo da Agência Estado,

28 de junho de 2012 | 11h50

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton, disse nesta quinta-feira, 27, que o Comitê de Política Monetária (Copom) vê perspectivas favoráveis para a economia brasileira em 2012. Ele disse que a expectativa é de que a inflação convergirá para a trajetória de metas, de 4,5%, que espera um crescimento moderado do crédito, de 15%, e que haverá disciplina fiscal, com a realização de um superávit em torno de 3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Hamilton também salientou que o Copom espera um déficit em conta corrente de cerca de 2% do PIB. "Como tem sido ao longo dos últimos anos, (o déficit deve ser) financiado essencialmente por Investimento Estrangeiro Direto (IED)", comentou. O diretor disse ainda que a taxa de desemprego está em nível historicamente baixo e que a atividade econômica está em aceleração. Também previu que a economia brasileira crescerá 4% no último trimestre do ano em relação a igual período de 2011.

O diretor do BC disse no entanto que o crescimento da economia brasileira no primeiro trimestre deste ano ficou abaixo do esperado e a inflação acumulada em 12 meses permaneceu em recuo, dando segmento a uma tendência que teve início em outubro do ano passado.

Desde o relatório de março, no Brasil, persistiu a tendência decrescente para o risco de descompasso entre oferta e demanda. O BC também vê o nível de utilização da capacidade estabilizado em nível abaixo da tendência de longo prazo.

No exterior, houve aumento da volatilidade no mercado financeiro, a atividade está mais moderada do que se antecipava, e os preços das commodities seguem em declínio Ele disse ainda que a política monetária global segue acomodatícia, inclusive com iniciativas não convencionais.

Inflação

O diretor de Política Econômica do BC afirmou que o aumento na previsão de inflação medida pelo IPCA para 2012 nos cenários de mercado e de referência se deve ao movimento do câmbio desde março, quando foram feitas as projeções anteriores.

Em relação a estimativa para a inflação no primeiro semestre de 2014, em alta em relação a 2013, afirmou que a visão do BC é que o balanço de riscos para a inflação ainda se mostra favorável, mas se espera, por exemplo, uma melhora no cenário externo.

"Há muita incerteza de hoje até o segundo trimestre de 2014, mas caso o cenário evolua como nós acreditamos, e a situação lá fora se resolva, é possível se imaginar esse cenário", disse.

Sobre a defasagem entre as ações de política monetária sobre a atividade, afirmou que a potência da política cresceu bastante, mas a economia tem demorado a responder, em parte devido ao ambiente de mais incerteza. "Isso certamente faz com que os agentes sejam mais conservados em suas decisões."

Carlos Hamilton Araújo afirmou que vê ainda um ambiente bastante complexo, com muita incerteza, principalmente do lado externo. "A recuperação tem sido bastante gradual, mas a economia se acelera ao longo do ano", disse.

Ele afirmou ainda que está em curso o processo de desinflação que teve início no quarto trimestre do ano passado para o consumidor. "Mas no atacado já vinha desacelerando."

Hamilton afirmou também que identifica riscos decrescentes ao cenário em que a inflação converge tempestivamente para o centro da meta.

 

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