BC espera inflação maior que meta, mas Mantega está tranqüilo

Contudo, BC aponta que a expectativa para a inflação neste ano é de 4,6% - superior à meta de inflação de 4,5%

Anne Warth, Agência Estado,

27 de março de 2008 | 19h22

A inflação está sob controle e o País continuará crescendo em torno de 5% neste ano. Esta é a aposta do ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciada no mesmo dia em que o Banco Central (BC) divulgou seu relatório de inflação. No documento, a instituição aponta que a expectativa para a inflação neste ano é de 4,6% - número superior à meta de inflação de 4,5%. Mantega disse ainda que a oferta e a demanda no Brasil estão equilibradas e que nem mesmo a inflação em 2009 é preocupante.  Veja também:BC prevê inflação acima do centro da meta neste anoBC vê possibilidade de aumento da gasolina este anoAlta na projeção de inflação era prevista, diz BernardoEntenda os principais índices de inflação   Reunido na tarde desta quinta-feira, 27, com dirigentes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e presidentes das maiores montadoras do País, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que as perspectivas para o crescimento da economia brasileira nos próximos anos seguem uma trajetória robusta, em torno de 5%, semelhante à registrada no ano passado. Segundo ele, o aumento da projeção do Banco Central para o IPCA deste ano não preocupa o governo. Mantega disse que não há pressões inflacionárias neste momento, diferentemente do que ocorreu no ano passado por conta da alta dos preços dos alimentos. "A inflação está dentro do centro da meta e não preocupa", disse. Ao citar o setor agrícola, cuja a capacidade de ampliar a oferta de alimentos é grande, o ministro sustentou que o mesmo fenômeno acontece também em outros setores da economia brasileira. "Hoje não há um problema de falta de oferta no País, a demanda e oferta estão equilibradas. É isso que estou verificando com cada um dos setores", disse. "Também não estou preocupado com a inflação em 2009" acrescentou. Mantega admitiu que o governo observa com receio a concessão de créditos de longo prazo, mas disse que os financiamentos de 90 meses são residuais e que a maior parte do crédito concedido no País é de 40 meses, segundo informações das instituições financeiras. Setor automobilístico Nesse contexto, ele disse esperar que a indústria automobilística mantenha-se à frente do processo de crescimento. "A indústria automotiva foi o carro chefe da economia em 2007 e gostaríamos que continuasse a ser este ano", afirmou. Ele garantiu que o governo vai assegurar a continuidade de fundamentos como a baixa vulnerabilidade interna, a consistência fiscal, a elevação da massa salarial e os estímulos ao aumento do crédito. "Perguntei se a indústria estava preparada para manter a sustentabilidade do crescimento de 2007 ao longo dos anos e se saberá enfrentar o desafio de atender a vigorosa demanda", declarou. O ministro disse ter ficado bastante tranqüilo com a resposta.  O presidente da Anfavea, Jackson Schneider, citou que os investimentos de US$ 5 bilhões já anunciados pela indústria no país neste ano elevarão a capacidade instalada do setor em 350 mil veículos, para 3,8 milhões de automóveis/ano. Ele disse também que haverá novos anúncios de investimentos ainda este ano por parte das montadoras. De 2008 a 2010, a cadeia como um todo, incluindo autopeças, investirá US$ 20 bilhões. Mantega disse ter ficado muito satisfeito. "Não são apenas intenções, mas sim investimentos", ressaltou. O ministro disse também que o governo espera que as exportações de veículos voltem a crescer. De acordo com Schneider, as vendas externas de automóveis caem em unidades desde 2005, embora se mantenham em valores por conta do ampliação do mix de produtos e seus respectivos preços. "Perguntei também se poderemos manter ou até expandir as exportações. Me foi respondido que sim, dentro de determinadas condições cambiais, financeiras etc.", relatou Mantega. "Ampliar também a capacidade de exportação da indústria automobilística é um dos objetivos do governo", acrescentou. Apesar disso, o ministro negou que o governo cogite adotar novas medidas cambiais para conter a valorização do real e "Acredito que o conjunto de medidas que anunciamos recentemente já surtiram algum efeito. No longo prazo, ainda temos que ver, mas o real já se desvalorizou", avaliou. Mantega lembrou ainda que a política industrial que será anunciada em breve pelo governo trará novidades, com um conjunto de medidas para vários setores, inclusive a indústria automotiva.

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