''BC está preparado para defender a estabilidade''

Presidente do Banco Central diz que expectativas de inflação convergem para a meta em 2009 e 2010

Daniela Milanese, O Estadao de S.Paulo

24 de junho de 2008 | 00h00

O Banco Central (BC) está preparado para proteger a estabilidade de preços, afirmou ontem, em Londres, o presidente da instituição, Henrique Meirelles. "O BC tem mostrado comprometimento com a meta de inflação", disse. Ele lembrou que a inflação está subindo em todos os países. No Brasil, passou de 3% no final de 2006 para 5,6% em maio de 2008, "acima da meta de 4,5%, mas ainda dentro do teto de 2 pontos porcentuais".Segundo Meirelles, as condições monetárias estão mais apertadas desde o início do ano e seus resultados ainda estão em curso. Ele considerou que as expectativas de inflação convergem para a meta em 2009 e 2010 e estão abaixo dela em relação a 2011 e 2012.O presidente do BC avalia que a alta das commodities tem dois efeitos sobre a economia brasileira. De um lado, reduz a renda real de certos segmentos da população, mas, de outro, aumenta as receitas dos segmentos exportadores.Para Meirelles, a correlação entre o real e as chamadas moedas de commodities está "aparentemente crescendo". Ele considera que a alta das commodities significa mudanças positivas para o comércio externo brasileiro, melhorando também a capacidade de importação do País, sem deterioração excessiva das contas externas.Ele disse acreditar que o Brasil está atualmente "em uma posição única no cenário global". Segundo ele, o Brasil é possivelmente um dos únicos países com capacidade para elevar a produção de alimentos, já que possui uma grande área de terra arável que pode ser incorporada, de forma a responder ao aumento da demanda mundial.Meirelles também citou o etanol e as descobertas de petróleo da Petrobrás como fatores importantes para o País no atual cenário. "O Brasil está em um caminho de crescimento sustentável, em oposição à trajetória de pára-e-anda registrada no passado", afirmou."O crescimento da economia brasileira é explicado pela demanda interna", afirmou. Segundo ele, esse cenário limita a possibilidade de impacto decorrente da crise externa. "A economia tem se tornado mais resiliente aos choques externos."Meirelles ressalvou que "mais resiliente não significa totalmente imune". "O Brasil está totalmente integrado à economia mundial e deverá, inevitavelmente, sofrer algumas conseqüências da severa desaceleração, só que de forma mais leve do que costumava sofrer."Ele disse que os preços dos ativos brasileiros refletem a consolidação da estabilidade econômica no País e também foram sustentados nos últimos anos por um ambiente global de aversão ao risco historicamente baixa. "A turbulência financeira global significa que esse período pode ter acabado.'' Meirelles fica em Londres até quarta-feira, para encontros com investidores e o presidente do Banco da Inglaterra.

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